Trienal da Crise Hídrica: problemas e oportunidades

Uma das principais virtudes de um investidor é ter a sabedoria de continuar investindo em uma empresa boa, mesmo que ela tenha registrado quedas nos últimos meses ou que tenha andado de lado no último ano.

Até porque você estudou a empresa com afinco, e sabe que as quedas nas cotações, que acontecem no momento, pode ser motivadas por um fator macro ou uma queda setorial. Portanto, não afetariam diretamente a empresa. Por conta disso, talvez chegue o momento até de fazer mais compras, pois o preço voltaria a ficar atrativo.

Fiz essa introdução para exemplificar de que não estava na minha planilha que teríamos uma crise hídrica no Brasil a cada três anos. E muito menos nas análises fundamentalistas dos gestores de empresas de energia. Enquanto isso, o “mercado” está refazendo os cálculos.

Aquela crise hídrica em 2014 ficou marcado. A escassez de água acarretou a um menor nível dos reservatórios, que ocasionou a um racionamento de água, consequentemente prejudicou a geração de energia e o abastecimento de água.

Parece que o problema de três anos atrás, será repetido neste ano.

Não estava nos planos que a região Sudeste e o Centro-Oeste sofreria com a seca a cada três anos. Caso o país sofra constantes secas ao longo dos próximos anos, empresas geradoras de energia elétrica no Brasil, voltadas para as usinas hidrelétricas, podem se deteriorar ao longo do tempo, caso elas fiquem estagnadas. Com isso, é preciso ter em mente a diversificação da geração, através de energias renováveis, como a eólica e a solar.

Por conta disso, está na hora de dar uma estudada nas empresas geradoras de energia. Verificar caso a caso, pois podem ter algumas listadas que podem ter problemas à vista, caso a seca prejudique estas regiões em triênios, resultando em retorno cada vez menor ao acionista. Ou quem sabe, com estas quedas nos preços atuais, podem surgir oportunidades em boas empresas, que já estão com a cabeça voltadas para a geração de energia renovável.

Com esta queda nas cotações do setor de energia, tem algumas empresas que estão sendo puxadas para baixo, sem ter relação alguma com o setor de geração. Uma delas é o setor de transmissão.

Porque as transmissoras não são remuneradas pelo volume de energia, e sim pela disponibilidade das instalações. A energia elétrica precisa ser transmitida, faça chuva ou faça sol. Por conta disso, estas empresas são mais estáveis. O pior cenário para as transmissoras é risco regulatório e o período de concessões. Para isso, é preciso estudar case a case.

Com a crise hídrica, é hora de separar o que pode vir a ter problemas à frente ou, quem sabe, oportunidades à vista.




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2 thoughts on “Trienal da Crise Hídrica: problemas e oportunidades

  • outubro 26, 2017 at 12:53 pm
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    O importante é olhar sempre a perspectiva de longo prazo, porque assim temos uma visão mais clara do futuro, sem ficarmos tão dependentes do presente.

    Abraço

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    • outubro 26, 2017 at 1:05 pm
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      Boa. Isso aí, DIL…
      Está certíssimo.
      Abs,
      50segundos

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