Por que o investimento em shopping center não é mais um retorno garantido?

Eis que na semana passada surgiu uma oportunidade de uma viagem a trabalho para os EUA. Foi uma viagem curta, inspiradora, reflexiva e, podemos dizer, que me fez tomar algumas atitudes.

Já havia dito neste post (Carnaval – tempo de inspiração. Como viajar ajuda na sua percepção de investimento?) que viajar é uma boa maneira de obter reflexão e inspiração.

Havia lido artigos e alguns comentários de colegas americanos que cada vez mais lojas de departamento nos EUA estavam fechando às portas.

Entretanto, se eles não estão em crise, qual seria o motivo?

Podemos dizer que o e-commerce acarretou em fechamento de lojas e até de grandes hipermercados. Conferi de perto o que antes havia Macy’s, JCPenny, Sears e até Walmart em grandes estacionamentos vazios, desertos e, literalmente, fechados.

Vou deixar bem claro que não sou especialista em shopping center, mas depois do que vi lá nos EUA, me fez aprofundar no assunto para poder estudar o mercado. O que vou escrever abaixo não é um caso apocaliptíco, do fim das lojas de departamento ou a morte dos shoppings center, nada disso. É apenas um relato do que eu vi.

E isso me fez refletir bastante…

Para quem não sabe, todo shopping center necessita de lojas âncoras. São lojas que atrai os consumidores para irem ao shopping. Essas lojas âncoras são as lojas que, praticamente, vendem de tudo, são as famosas lojas de departamento. Entre eles, podemos listar: Macys, JCPenny e Sears.

Claro que o shopping center não sobrevive só disso. Se o shopping center tem entretenimento também ajuda a atrair clientes, como por exemplo, as salas de cinema. Outra forma de atrair a clientela são os bons restaurantes. Famosas redes de franquias de restaurantes junto com uma praça de alimentação são fundamentais para solidificar a sobrevivência de um shopping. Sem esses pilares citados, o shopping, infelizmente, não sobrevive.

Porém, ao analisar os centros comerciais mais afastados de algumas cidades, percebi que eles estavam às moscas, um cenário de deserto total. Lojas que antes eram de vestuário, como Abercrombie & Fitch, American Apparel, Gap e outras lojas não estavam mais funcionando. Ao caminhar por pouco tempo no shopping, deu para perceber que mais da metade das lojas estavam fechadas, sem inquilino algum.

Motivo? As lojas âncoras, que atraiam clientes, não sobreviveram ao e-commerce. O que antes tinham uma Macys ou uma Sears se transformou em um grande “galpão” vazio. Em outros casos, enquanto as lojas âncoras ainda resistiam bravamente e continuavam abertas ao público, as lojas menores do shopping não conseguiu resistir a escassez de clientes e decidiram fechar as portas.

Isso se transformou em um efeito dominó.

Lojas âncoras fechadas acarretam em menor circulação de pessoas. Com a redução da circulação de pessoas afeta o comércio local, porque há menos negócios fechados. Menos negócios afeta as sublojas ou lojas menores, que dependiam de pessoas em circulação para vender, que acabam encerrando as atividades. Consequentemente, o shopping center ou centro comercial tende a deixar de funcionar, porque não sobrevive com mais da metade das lojas fechadas.

Volto a frizar que o que eu percebi deste estado de abandono foi apenas nos shoppings center considerados bem afastados da região central da cidade, geralmente aqueles situados bem no subúrbio das cidades.

Se isso será uma tendência, isso eu não posso prever…

Entretanto, ficaria atento ao investimento em shopping center. Claro que não são todos. Há alguns excelentes por aí. Mas sabe aquele shopping que está afastado da cidade, acima de 20km de distância do centro empresarial ou de zonas residenciais, e que só atrai consumidores por causa do baixo preço das lojas? Pois bem, à primeira vista parece que lá nos EUA esse tipo de shopping center não atrai mais clientes, até porque para encontrar promoção, basta comprar via online, que eles entregam em casa ou no hotel, caso seja turista.

Para se ter uma ideia, no ano passado, durante as Olimpíadas, estive na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Durante a estadia, percorri o bairro de carro de ponta a ponta e contei que o bairro oferece 12 (doze) shopping center somente na Barra da Tijuca. Isso mesmo que você leu! Doze! Na minha opinião, achei um certo exagero na quantidade oferecida. Brincadeiras à parte, fiz até uma aposta com um amigo de qual shopping center não iria resistir a concorrência e iria fechar as portas primeiro.

Por acaso, você conhece algum shopping na sua região que está cada vez mais vazio, atraindo menos pessoas?

Pois bem, o mantra de que shopping center sempre atraia clientes e era uma renda garantida para o investidor, me deixou com uma pulga a mais. Por isso, fica a reflexão…




5 thoughts on “Por que o investimento em shopping center não é mais um retorno garantido?

  • março 14, 2017 at 11:43 am
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    Brasileiro gosta de shopping mesmo.
    Só na Av. Paulista, que tem pouco mais de 2km, tem 4 shoppings.
    Uma coisa que vi recentemente também é que vários FIIs de shoppings estão com taxa de vacância alta.

    Abs.

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    • março 14, 2017 at 12:00 pm
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      E como gosta, KB.
      Alguns FIIs de shoppings estão mesmo com a taxa de vacância bem elevada, como você disse. E um deles está se enquadrando neste aspecto que eu citei no texto. Até a BRML3, boa administradora, também está sofrendo com a vacância. É para ficar atento.

      Abs,
      50segundos

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    • março 14, 2017 at 2:20 pm
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      Hehehe… boa!!!
      Não sei se eu fui claro. Mas os shoppings bem localizados não estão sofrendo por lá. O que eu queria dizer, são aqueles centros comerciais mais afastados.
      Mas a sua analogia é boa, Zé.

      Abs,
      50segundos

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