Pesquisa de campo: análise fora dos balanços

Você sabe no que você investe?

Fiz esta pergunta porque muita gente investe ser ter a mínima ideia no que se está investindo.

Porque as pessoas compram uma determinada ação ao longo prazo sem saber nada sobre a empresa.

Após olhar o balanço da empresa e ter me interessado pelos resultados, eu inicio um outro passo que é análise do produto.

Exemplifico:

– Após conferir os balanços da Grendene, vou ao mercado ou ao shopping mais próximo, checar as sandálias vendidas pela marca. O ideal seria eu mesmo utilizar o produto e verificar se é de boa qualidade. Porém, caso não goste do produto no momento, até porque eu posso não ser o público alvo da empresa, eu dou de presente a alguém com um perfil semelhante ao público daquela marca.

Ao passar alguns dias, eu pergunto para a pessoa, para qual eu entreguei a sandália, se o produto era bom mesmo. Obviamente, ela sempre fala que sim, até pela simpatia. Porém, aviso que eu também havia comprado para uso pessoal e começo a falar mal do produto, por exemplo, tipo a borracha rasgou ou arrebentou, só para instigar a pessoa. Com isso, ela pode ser sincera, caso tenha tido algum defeito no produto ou elogiar fielmente o produto, ao afirmar que está em perfeito estado.

Esse método é possível aplicar com algumas empresas listadas. Essa análise você não consegue enxergar olhando apenas o balanço, é preciso estar na rua, longe do computador. Gosto de utilizar essa maneira de verificar se a empresa entrega um produto bom, de qualidade. Isso pode ser replicado em farmácias, supermercados, bebidas, pontos de fidelidade, cliente de bancos, ensino e por aí vai…

– Outro exemplo que seria ideal era verificar in loco os investimentos em fundos imobiliários. Claro que é impossível para várias pessoas ficar viajando por aí, visitando todos os imóveis. Mas tem maneiras simples e eficazes de verificar o empreendimento.

Uma delas é o famoso Google Maps. Abre a página e digite o endereço do edifício. Assim é possível verificar a estrutura e fachada, além da movimentação da rua e o comércio ao redor. Com um simples acesso a internet é possível checar essas informações.

Outro ponto interessante é ligar para os lojistas do shopping de outra cidade, no qual você está querendo adicionar na sua carteira. Já fiz isso e já falei pelo telefone com alguns lojistas – só digitar no google que você encontra o telefone da loja – a maioria das vezes não fui sucedido, mas nas boas tentativas, consegui obter informações relevantes: como queda no número de circulação de pessoas, aumento no número de lojas fechando as portas, aumento futuro no preço do aluguel das lojas.

Complementando essa pesquisa telefônica, já liguei para um restaurante em frente a um edifício comercial e perguntei sobre a reforma do prédio, sobre a quantidade de pessoas que entra no prédio, e por aí vai. Brasileiro é fofoqueiro por natureza e basta falar com educação com as pessoas, que elas se abrem e contam sobre o que você queria saber.

Por isso que digo que pesquisa de campo é uma boa forma de avaliar a empresa. Balanço por si só, traz apenas números. É preciso checar ao vivo. Claro que seria um parto fazer isso com todas as empresas. Mas sempre que possível, tente fazer esta avaliação.




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4 thoughts on “Pesquisa de campo: análise fora dos balanços

  • novembro 3, 2017 at 11:23 am
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    Todos deveriam fazer isto, mas mal estou tendo tempo de ler balanço, rs. Por enquanto só mesmo avaliando as cervejas da Ambev, kkk.

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    • novembro 3, 2017 at 4:03 pm
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      Hahaha… excelente!!!
      Poxa, a mesa do bar é um ótimo local para receber feedbacks de outras empresas, além de degustar umas e outras… rs!!!

      Abs,
      50segundos

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  • novembro 3, 2017 at 1:08 pm
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    50 segundos, seu blog parece ser muito bom! Descobri agora e vou acompanhá-lo! Textos claros, boas ideias, temas interessantes!

    Sobre a ideia desse post, concordo contigo. Eu mesmo escrevi recentemente sobre isso, em como observo em meu dia a dia os produtos e serviços das empresas e FIIs que possuo, mostrando como esses ativos podem ser mais tangíveis do que a renda fixa (http://www.viagemlenta.com/2017/10/renda-variavel-e-renda-fixa-qual-e-mais-tangivel-no-dia-a-dia.html).

    E também tenho Grendene e uma sandália Ipanema que não deixa devendo para nenhuma Havaianas rsrs.

    Abraço!

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    • novembro 3, 2017 at 5:19 pm
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      Poxa, André, que bom!!!
      Aliás, seja bem-vindo!!!
      Certamente vou conferir o seu blog. Boas indicações são sempre positivas.

      Aliás, produto por produto, prefiro Alpargatas. Mas Natal em Família, presenteio com algumas Grendenes. Momento ideal para receber feedbacks… rs!!!

      Abs,
      50segundos

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