Mudanças no varejo com a entrada da Amazon nos estabelecimentos físicos

Só porque há duas semanas, eu avisei que iria parar de investir em empresas de varejo (relembre aqui), Jeff Bezos – CEO do Amazon – vem e me dá uma resposta a altura.

Sim, a Amazon vai comprar a rede americana Whole Food Market por U$42 a ação. Enquanto eu, mero mortal, apenas queria investir em marketplace. Alguém acima de mim, vem e me mostra que pode pensar mais à frente.

Meus pontos de vista sobre os motivos desta aquisição:

– Amazon é sinônimo de compra online. Porém, a empresa queria expandir os negócios através de um novo conceito de supermercado, que até então, estava apenas em fase beta: o AmazonGo. Até já postei um post sobre isso aqui (relembre aqui: AmazonGo, a revolução do próximo ano).

– Espaço físico. A Amazon não tinha espaço físico suficiente para abrir as suas lojas. Precisaria investir em imóveis para expandir os negócios. Teria mais gastos na pesquisa imobiliária e na aquisição. Dizem por aí que o maior negócio do McDonald’s não é a venda de hambúrguer, e sim, os milhares de imóveis bem localizados espalhados pelo mundo inteiro. E com a 440 lojas físicas da Whole Foods Market tanto nos EUA, Canadá e Reino Unido, ajudaria sim, a Amazon neste processo.

– Alimentos naturais e orgânicos. Cada vez mais, aumenta-se o número de consumidores de alimentos naturais e orgânicos nas grandes cidades. (Certa vez, em uma viagem para uma cidadezinha no interior de SC, conversei com um agrônomo, e ele confessou que é raridade um alimento ser 100% orgânico. Bem, isso é outra polêmica. É melhor deixar para outro post). Em um comunicado, Jeff Bezos afirmou que as pessoas gostam de comprar no Whole Foods Markets porque a empresa oferece os melhores alimentos naturais e ajuda na alimentação saudável das pessoas.

– Serviço delivery qualificado. Há algum tempo, a Amazon havia criado o AmazonFresh, o serviço de entrega de mercearia da Amazon. E esta aquisição poderia elevar o valor da AmazonFresh. Para enviar compras de forma eficiente aos consumidores, precisaria de um centro de distribuição física perto do consumidor. Isso reforça a tese de que os supermercados, poderão se tornar em depósitos de distribuição de alimentos aos consumidores.

Esses foram os meus pitacos sobre essa possível fusão. Claro que o varejo nunca irá morrer. Está aí uma prova viva disso. Claro que as ações da WFM – Whole Foods Market – foguetearam por causa disso, enquanto isso Wal-Mart, Costco, Target, Walgreens e as outras empresas de grocery e drugstore despencaram por lá.

Se você gosta de varejo e investe no mercado americano, está aí uma boa oportunidade de comprar as ações de outras empresas de varejo. Claro, desde que elas estejam com uma proposta inovadora na forma de vender os seus produtos. Certamente, a Amazon está vindo mudar o conceito de fazer compras no supermercado. Vamos ficar de olho!




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