Dilema do Airbnb – o confronto com as imobiliárias e com o setor hoteleiro podem gerar prejuízo para ambos

Sabemos que o taxistas não ficaram nada felizes com a entrada do Uber no país e no mundo afora.

Protestos de taxistas em Paris, em Buenos Aires, no Rio de Janeiro e por aí vai…

Tudo por contra da entrada da concorrência no mercado. Claro, os taxistas iriam perder a batalha aos poucos, porque o preço era muito mais cômodo para os passageiros. Confira aqui o texto que abordei o dilema do Uber no Brasil.

E, agora, temos mais um dilema nesta nova economia: o airbnb, que chegou para entrar no mercado de aluguel de imóveis.

Claro que o mercado imobiliário também não está nada satisfeito com esta nova concorrência.

Porque o cliente pode entrar em contato diretamente com o proprietário do imóvel, sem a necessidade do filtro de um corretor imobiliário.

Desta forma, o airbnb facilitou a negociação do aluguel, tanto para o proprietário quanto para o inquilino.

Porém, a vida dos proprietários que alugavam no airbnb não seria tão simples assim.

As imobiliárias e, claro, junto com o setor hoteleiro – não podemos nos esquecer – criaram alguns entraves para os donos dos imóveis.

Segundo o jornal Miami New Times, a cidade de Miami já multou o Airbnb e outros sites, como o Booking.com e o Homeaway, que também permitem o aluguel de casas, e chegou a expulsar 31 turistas que se hospedavam nessas propriedades alugadas. Além disso, as propriedades também foram multadas.

O jornal ainda conta que a cidade vai lançar uma campanha em que pedirá para que os residentes ajudem a cidade a “cuidar dos seus bairros” para que nenhum vizinho cadastre sua casa no Airbnb. Também serão aplicadas multas de US$ 20 mil a US$ 80 mil para quem disponibilizar a casa para aluguel ou divulgar o aluguem de curta duração.

Ou seja, a multa só faz menção para os alugueis originados pelo site. Pelo visto, se ocorrer o aluguel diretamente com uma imobiliária não terá problema algum. Diríamos que um pouco suspeito esta nova norma.

Em memorando sobre a campanha, o administrador da cidade, Jimmy Morales, escreveu que os hóspedes do Airbnb geram barulho e trânsito em excesso, o que causa “impactos adversos nas residências próximas e impactam negativamente a qualidade de vida dos que moram em bairros residenciais”.

Claro que essas atitudes não são de prefeituras ou de governos. Podem apostar que as imobiliárias e o setor hoteleiro estão por trás disso.

E a melhor forma de atacar a concorrência é ferir no bolso, seja dos proprietários e dos inquilinos com uma multa.

Até porque, é fácil descobrir quem está alugando as propriedades, basta fazer uma pesquisa no aplicativo e distribuir as multas aleatoriamente.

Esta batalha não deve terminar por aí, teremos mais capítulos deste confronto.

Além de Miami, o Airbnb já enfrentou alguns conflitos nas cidades de Barcelona, Paris, Nova York, Berlim e Amsterdã – todas estas tentaram proibir o funcionamento da empresa.

Ficaremos de olho em mais um dilema da Nova Economia.




Dilema do Uber – prejuízo no caixa e motoristas insatisfeitos. E agora?

Enfrentar a concorrência do táxi no Brasil não era tarefa fácil. Sabemos que o Uber enfrentou dificuldades para ser aceito no país e ser reconhecido.

A primeira medida era oferecer vantagem na tarifa para os passageiros. De cara, a adesão foi imediata. Quem não queria pagar mais barato que o táxi? Em algumas ocasiões, até com a tarifa dinâmica compensava em utilizar o táxi.

Depois da bandeira ser fincada, com o aplicativo funcionando a todo vapor em diversas capitais e com aprovação dos passageiros, apareceu mais um entrave.

Os motoristas do Uber perceberam que o lucro não era tão vantajoso assim. Pois é.

Para quem é motorista do UberBlack, apenas 80% do lucro das corridas fica com o motorista, o restante vai para o caixa da empresa. Se você for motorista do UberX, o lucro cai para 75% das corridas. Consequentemente, 25% vai para o Uber.

Um dos dilemas está aí. Com a tarifa baixa e lucro reduzido na corrida, os motoristas não estão tão satisfeitos assim. E olha que ainda não citei os gastos que o motorista precisa ter para colocar o carro em circulação. Tem o preço da gasolina exorbitante praticado no Brasil, mais os custos com internet no celular, gastos de manutenção dos veículos, além da água e das guloseimas.

Resultado foi uma greve dos motoristas do Uber sendo aderida em várias capitais do país.

Não venho aqui defender que a tarifa do Uber seja revista. Longe disso.

Para os passageiros, quanto menor, melhor.

Para os motoristas, quanto maior o lucro, melhor.

Mas aí é que está…

Sabia que para os investidores, o Uber ainda dá prejuízo?

Como o Uber não é uma empresa de capital aberto, não sabemos com exatidão o valor do caixa da empresa. Mas documentos vazados pelo site “Gawker” mostraram que a companhia não era lucrativa e enfrentava prejuízos crescentes, a ponto de registrar perdas de US$ 161 milhões no primeiro semestre de 2014. Em 2013, o prejuízo tinha registro de US$ 56,5 milhões.

Chegamos ao cerne da questão.

Reduzir a fatia que arrecada com os motoristas, a empresa não vai aceitar. Isso afetaria os futuros lucros da empresa.

Aumentar a tarifa para os passageiros, é uma questão a ser decisiva. Muitos passageiros, podem deixar de utilizar o aplicativo. Caso isso seja definitivo, poderá abrir concorrência para o Uber.

Não estou falando dos taxistas.

Mas sim de outra plataforma, o Lyft – que já funciona nos EUA; e também do Cabify, já disponível no Brasil.

Prepare-se, pois o mercado pode melhorar ainda mais para o passageiro.

Para os motoristas então, uma boa saída é ser cada vez mais eficiente. Assim como fez o Marlon, que criou um programa para ajudar os motoristas iniciantes no desafio de ganhar dinheiro sendo motoristas autônomos. Para ver como funciona o programa dele, clique aqui.