Por que parei de investir em startup’s de tecnologia?

Você não terá retorno, mesmo que a startup obtenha êxito, o grande vencedor são os fundos de investimento. Explico os motivos…

Fui investidor de três startups do setor de tecnologia. Ao passar dos anos, as três precisaram de aportes para sobreviver, dependiam de nova injeção de capital para não fechar as portas.

As três conseguiram este aporte através de fundos de investimento, como as venture capitals. Como eu não havia aportado nas novas rodadas, minha participação se diluiu nas startups. O que antes era por volta de 6% em cada uma delas, passou a valer por volta 1% ou até menos. Se a minha participação diminuiu consideravelmente, imagine para os proprietários?

Com a chegada dos fundos de investimento, os sócios perderam a participação majoritária. Pois, quem dominava e determinava a situação de liderança nas startups passou a ser os fundos.

E aquele encanto dos sócios, em serem os fundadores ou serem os próprios chefes, foram se perdendo ao passar dos tempos. Por incrível que pareça, nas três startup’s, o cenário foi o mesmo. Pois as três, não obtinham lucro de forma alguma. Ainda é difícil ter saldo positivo no setor digital. Pois a maioria imagina que os lucros virão no futuro, tudo na base da expectativa. Mas esse dia, demora a chegar. Por isso, que de cada 10 startups investidas pelos fundos de investimento, apenas 1 consegue vingar. E esta única compensará todos os prejuízos das outras 9 startups.

As outras 9 restantes, os fundos de investimento perdem a paciência, pois seguem a estratégia da regra de Pareto, pois voltam os recursos apenas para a mais eficiente, a galinha dos ovos de ouro.

Enquanto isso, a única possível candidata aos louros precisa de novos aportes de capital. Em cada rodada, os empreendedores que fundaram a startup foram ainda mais diluídos, por falta de capacidade de acompanhar os investimentos necessários ao crescimento. E o minoritário, lá do início da história, foi praticamente corroído na participação.

E ainda não mencionei que em uma possível venda estratégica – leia-se abrir o capital na bolsa – os fundos também tem direito de vender suas ações antes dos sócios fundadores.

O que me fez pensar nos últimos dias é que a geração “millennial” – que ‘só pensa’ em negócio digital, pois seria mais fácil para empreender – não está obtendo êxito como gostaria. Enquanto isso, na outra ponta, quem apostou em negócios ‘não-digitais’, da velha economia, conseguiu empreender melhor, ser mais eficiente, obtendo uma venda melhor do seu negócio.

Por isso que os meus próximos aportes em startups não estarão mais voltados para negócios ditos digitais, como e-commerce, aplicativos ou marketplaces. Caso queira investir no setor de tecnologia, pense em negócios já consolidados.




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O vilão é o E-mail Marketing

Uma das principais casas de research de investimento do país foi penalizada por induzir o leitor/investidor de que teria retorno garantido ao investir em uma determinada aplicação.

A defesa deles é que o e-mail marketing disparado sobre o tais investimentos não foram escritas pelos analistas, e sim, pela equipe de marketing.

Jogaram a culpa para o lado da corda mais fraca – até já havia anunciado que o marketing poderia ser o vilão dos investidores, relembre aqui o texto “Não caia nestas armadilhas”.

Entretanto, em outras casas de research independentes e também na de cursos de coaching/investimento o problema é o mesmo. Não estão sabendo mais utilizar o marketing de forma positiva.

Quer um exemplo?

Confira os prints abaixo, retirados da caixa de e-mail do meu celular:

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Os dois e-mails foram disparados no mesmo dia, e com menos de 50 min de diferença entre um e outro. Curioso, não?

Afinal, a culpa é de quem?

Infelizmente, sim é a do marketing, até porque não foram os analistas que escreveram. Espero que vocês, de marketing, me entendam. É para o bem de todos.

É hora de repensar no conceito. O que era inovador, confesso, que já ficou ultrapassado.

E, você, cuidado na hora de ler e acreditar em todos os e-mails que lê por aí. É preciso ficar atento!




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Pesquisa de campo: análise fora dos balanços

Você sabe no que você investe?

Fiz esta pergunta porque muita gente investe ser ter a mínima ideia no que se está investindo.

Porque as pessoas compram uma determinada ação ao longo prazo sem saber nada sobre a empresa.

Após olhar o balanço da empresa e ter me interessado pelos resultados, eu inicio um outro passo que é análise do produto.

Exemplifico:

– Após conferir os balanços da Grendene, vou ao mercado ou ao shopping mais próximo, checar as sandálias vendidas pela marca. O ideal seria eu mesmo utilizar o produto e verificar se é de boa qualidade. Porém, caso não goste do produto no momento, até porque eu posso não ser o público alvo da empresa, eu dou de presente a alguém com um perfil semelhante ao público daquela marca.

Ao passar alguns dias, eu pergunto para a pessoa, para qual eu entreguei a sandália, se o produto era bom mesmo. Obviamente, ela sempre fala que sim, até pela simpatia. Porém, aviso que eu também havia comprado para uso pessoal e começo a falar mal do produto, por exemplo, tipo a borracha rasgou ou arrebentou, só para instigar a pessoa. Com isso, ela pode ser sincera, caso tenha tido algum defeito no produto ou elogiar fielmente o produto, ao afirmar que está em perfeito estado.

Esse método é possível aplicar com algumas empresas listadas. Essa análise você não consegue enxergar olhando apenas o balanço, é preciso estar na rua, longe do computador. Gosto de utilizar essa maneira de verificar se a empresa entrega um produto bom, de qualidade. Isso pode ser replicado em farmácias, supermercados, bebidas, pontos de fidelidade, cliente de bancos, ensino e por aí vai…

– Outro exemplo que seria ideal era verificar in loco os investimentos em fundos imobiliários. Claro que é impossível para várias pessoas ficar viajando por aí, visitando todos os imóveis. Mas tem maneiras simples e eficazes de verificar o empreendimento.

Uma delas é o famoso Google Maps. Abre a página e digite o endereço do edifício. Assim é possível verificar a estrutura e fachada, além da movimentação da rua e o comércio ao redor. Com um simples acesso a internet é possível checar essas informações.

Outro ponto interessante é ligar para os lojistas do shopping de outra cidade, no qual você está querendo adicionar na sua carteira. Já fiz isso e já falei pelo telefone com alguns lojistas – só digitar no google que você encontra o telefone da loja – a maioria das vezes não fui sucedido, mas nas boas tentativas, consegui obter informações relevantes: como queda no número de circulação de pessoas, aumento no número de lojas fechando as portas, aumento futuro no preço do aluguel das lojas.

Complementando essa pesquisa telefônica, já liguei para um restaurante em frente a um edifício comercial e perguntei sobre a reforma do prédio, sobre a quantidade de pessoas que entra no prédio, e por aí vai. Brasileiro é fofoqueiro por natureza e basta falar com educação com as pessoas, que elas se abrem e contam sobre o que você queria saber.

Por isso que digo que pesquisa de campo é uma boa forma de avaliar a empresa. Balanço por si só, traz apenas números. É preciso checar ao vivo. Claro que seria um parto fazer isso com todas as empresas. Mas sempre que possível, tente fazer esta avaliação.




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Dica do dia: Abstract

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Para a turma que gosta de arte e design, eis uma dica valiosa: documentário da Netflix – Abstract – the art of design.

O documentário – mas podemos chamar de série, pois tem oito episódios – está no ar desde fevereiro deste ano. E como várias pessoas já haviam me indicado, resolvi assistir a alguns episódios.

E os episódios sobre os carros e sobre os tênis da Nike são muito bons – ainda não assisti aos oito episódios. Porém, pelo material inicial, já vale muito a pena.

Conceito de marca, design, história de sucesso, detalhes para chegar até ao produto final e estilo de vida. Tudo isso em um pacote completo na série Abstract.




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Faltou tempo, vai na clássica: ITSA e ITUB

Foram menos de quinze minutos de atraso, mas foi o tempo suficente para o Dr. Zé (nome fictício) abrir o homebroker e deixar uma ordem de 500 ITSA4 e 200 ITUB4.

Ao pedir desculpas pelo atraso – detesto não ser pontual – ele dizia que não haveria problemas, pois conseguiu “arrumar a casa” entre um paciente e outro.

Enquanto eu tentava me esquivar do espelhinho e da mini broca que insitiam em chegar próximo a minha boca, notei que o notebook dele estava aberto em uma página que eu aparentemente reconhecia – era o homebroker da mesma corretora que eu utilizava, o layout da página facilitou a identificação.

Ok, sou curioso! E diante do fato, comecei a prestar mais atenção e a tentar identificar o que tinha naquela página aberta. Notei algumas ações soltas em uma lista e eis que no cantinho da tela, consegui perceber que tinha duas ordens de compra de duas ações diferentes – nessas horas aprecio ainda mais por ter dois olhos de lince.

Enquanto aquele barulhinho irritante do motorzinho entre a gengiva e o dente me incomodava, os olhos trabalhavam para tentar identificar as duas ações. De repente, o computador soltou um ruído, justamente na hora em que o motorzinho, finalmente, havia parado para uma pausa. Agora, todos os olhos haviam voltado para a mesma cena, o notebook.

A princípio, só consegui identificar o “I”, seguido pelo “T”. Mas reparei que as mesmas letras iniciais haviam se repetido na coluna abaixo. Enquanto o motorzinho voltava a trabalhar como se não houvesse amanhã, pensei: “Não é possível, ele comprou ITUB e ITSA! Então, está sabendo investir bem, não vou falar nada”.

Deveria ser por causa da anestesia bocal, mas não é que no final soltei, sem querer, um “Abraços, Dr. Zé. Boas aquisições, heim…”. Com cara de surpreso, ele deu uma risadinha e emendou: “São as compras do mês, as clássicas Itaú e a úsa(sic)” – referindo-se a Itaúsa.

Bem, pelo visto, já temos assunto para o nosso reencontro para daqui a seis meses.

O que fica é a lição do doutor. Se, por acaso, sobrou apenas um curto intervalo livre na agenda de compromissos, e não vai dar tempo para analisar muito, “vai na clássica mesmo (ITSA e ITUB), pois o resultado é garantido”!




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Diálogos – qual pessoa você é?

A: Eu não leio todos os balanços!

B: Meu Deus do Céu, como você tem a audácia de dizer isso. Seu insano! Você não tem amor pelo seu dinheiro?

A: Não vou perder meu tempo lendo aquela papelada toda em todo trimestre. Prefiro ler um livro, viajar, ir no cinema. Aliás se somar todos os relatórios são mais de 700 páginas no total, para quê?

B: Como para quê? Para verificar se a empresa está boa. Se vier ruim, eu vendo.

A: Eu não me desfaço das minhas ações apenas por causa de um balanço ruim.

B: Seu louco! Você não viu que Ambev soltou um balanço ruim, queda e tudo mais!

A: Mas eu continuo vendo as pessoas bebendo cerveja do mesmo jeito.

B: Mas a venda no trimestre caiu 5%.

A: É melhor tomarmos um chopp para você esfriar a cabeça.

Esse diálogo foi criado baseado no que eu vejo por aí. Muita gente vendendo as ações (patrimônio) apenas por causa de um balanço. Eu citei a Ambev, mas poderia ser a BBSeguridade ou a Taesa e por aí vai.

Ahhh. antes que eu esqueça: Tente ser a pessoa A, ao invés da B. #paz




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Dica do Dia: Grammarly

Me passaram esta dica do site grammarly.com. É um plugin que é instalado no seu navegador de internet que corrige os seus erros ortográficos de um texto em inglês. Este plugin também atua no outlook, nas redes sociais e também no Word.

Como utilizo o inglês para escrever com alguma frequência, precisava de um corretor para saber se aquela preposição ou o verbo estava escrito corretamente.

Realmente é bem prático e ajuda bastante. Tem a versão a versão “premium”, paga, e também a versão “freemium”, de graça – a que eu utilizo.

Vale lembrar que não é um tradutor. E sim, um corretor. Precisa ter uma noção de inglês. Se você não domina o idioma, já passou da hora de aprender – este é o seu maior investimento.

Este serviço não é um app. Por conta disso, só é possível utilizado no desktop. Quem sabe, em breve teremos uma versão para o smartphone.




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