Indo na direção oposta: aporte em ouro

Novas máximas nas bolsas globais mundo a fora. Novos recordes do bitcoin por ali. Enquanto que no Brasil, inicia-se um novo ciclo positivo, percebo que nas bolsas desenvolvidas, o ciclo positivo pode estar se desgastando.

A mente está um trevo. Sigo positivo com o local, mas com receio do global. Em dezembro, farei uma viagem longa, de um mês fora do Brasil, e irei visitar alguns países. Visualizar o cenário de fora da nossa caixa.

Só assim para ter alguma percepção do que ocorre realmente por lá. Até porque, fazer análise no ar-condicionado é igual a soltar pipa no ventilador. O ideal é viajar e presenciar o que de fato está acontecendo.

Por conta disso, a ideia era aplicar só em LFT para os próximos três meses. Mas por um momento, surgiu a hipótese: por que não aplicar uma parte em ouro?

À primeira vista, o ouro sugere uma proteção do patrimônio. Porém, investir em ouro no Brasil foi sinônimo de valorização. Confira só a performance do ouro em relação ao real.

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Caso queira investir em ouro por conta própria, é possível adquirir via contrato negociado na bolsa, seja ele um contrato (lote padrão com maior liquidez) com o código OZ1D ou através de um lote fracionário, com o código OZ2D. Lembre-se que é necessário pagar taxa de carregamento, daí a conta fica complicada. Confesso que não recomendo muito.

Outra opção, e a mais viável, é através de fundos de investimento multimercado. Conheço dois fundos: o Órama Gold e o XP Gold. O primeiro tinha aplicação inicial de R$3.000,00 depois diminuiu para R$1.000,00 e agora chegou a níveis de R$100,00 e com taxa de administração de 0,7%a.a. O segundo precisa de um aporte inicial de R$10.000,00. e tem taxa administração de 1%a.a.

Não estou fazendo propaganda alguma dos dois fundos, apenas mostrando as opções no mercado. Caso tenha algum outro fundo atrelado ao ouro, pode comentar. Aliás, isso ajuda na informação.

Não. Investir em ouro não é isento de IR. E sobre a tributação, é equivalente a da renda fixa.




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Não caia nestas armadilhas

O que você vai ler abaixo, são estratégias para te fisgar. Sim, é para atrair a sua atenção.

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Sim, recebi esses anúncios pelo e-mail nos últimos dias. E como a bolsa está em níveis cada vez mais elevados, o marketing das empresas está bem agressivo. Não acredite em tudo o que lê por aí, desconfie sempre e seja crítico. Não acredite tanto assim em resultados milagrosos da noite para o dia. Isso é igual ao anúncio do “trago a pessoa amada em 3 dias!”. Não reparou que é bem semelhante?

Essa agressividade foi explorada e utilizada por um grande especialista em marketing digital no Brasil, mas não quero fazer propaganda gratuita dele. Afinal, o curso dele é muito bom, por sinal. Porém, está mais do mesmo. E todos repetem a mesma receita de bolo, sejam elas casas de análises, cursos de trader, coaching “financeiro”, pirâmides financeiras e tantos outros. Todas utilizam o mesmo artifício, sem exceção. Para atrair o consumidor, dizem que o produto vai esgotar em poucas horas, por causa do alto número de acessos…

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… ou que o produto é uma de oportunidade rara e restrita e, portanto, são para poucos clientes…

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… ou que o servidor parou de funcionar por causa da alta demanda, e por isso vai extender a oferta do produto.

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Desconfie que isso tenha realmente acontecido. Isso é para você se inscrever imediatamente e desembolsar a quantia necessária para comprar o produto oferecido. E como tem muitos iniciantes na bolsa recentemente, tudo por causa das altas dos últimos meses, os novatos, em busca do santo milagroso, acabam aceitando o produto, sem antes raciocinar e ter senso crítico. Uma pena! E depois vão culpar o mercado, e no futuro vão contar para os mais próximos que a bolsa é cassino e não serve para ele. Desculpe ser o “Mister M” da vez, mas precisam inventar outra fórmula.

Fique esperto.

Desculpe o desabafo.

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Não poderia deixar de mencionar o brilhante Pedro Damasceno. Aos 47 anos, nos deixou nesta semana, e deixou um legado. Foco em valor ao cotista no longo prazo e adepto do value-investing. Foi gestor da Dynamo. O fundo Dynamo Cougar rendeu 7.000% desde a fundação, em 1993, descontada a inflação durante o período. Se não me falha a memória, a Dynamo está fechada há mais dez anos para novos cotistas. Sabe aquele arrependimento de uma vida: de não ter sido cotista da Dynamo lá nos primórdios.

Para quem não o conhece, eis uma entrevista que ele concedeu ao Thiago Salomão, no final de 2016.

Espero que após ouvir o Pedro, tenha em mente que bolsa é para o longo prazo. Não caia na tentação de fazer trades curtos e alavancados. A sua mente investidora precisa estar voltada para ativos que gerem valor. Para isso, precisa estudar o mínimo da essência do value-investing, até porque no longo prazo, costuma compensar.




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Precisamos falar sobre a taxa de juros futura

Queria escrever este texto, porque leio e ouço burburinhos por aí que teremos em breve um país com uma taxa de juros de 6%a.a. ou até menos.

É possível isso acontecer? Na verdade, no Brasil tudo pode acontecer. Mas pela nossa história de juros e comparando com a de outros países em desenvolvimento, é provável que não.

“Ahhh 50segundos, mas desta vez é diferente!”, você poderia dizer isso!

Vamos comparar a tabela dos juros praticados no Brasil com a de outros países…
(Dependendo do dia que você ler este texto, a tabela pode estar desatualizada)

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Até a última reunião do Copom, estávamos na liderança do ranking, citado acima. Hoje, é a Rússia. Podemos dizer que os nossos concorrentes diretos são o México e a Turquia – não, não podemos nos comparar com o Chile ainda.

Atualmente, a taxa mexicana está em 7% e a turca em 8%, enquanto a brasileira, está em 8,25%. Ou seja, estamos quase na média entre esses países. É provável que ocorra mais uma queda na próxima reunião de Copom. Para aí sim, ficarmos em níveis de igualdade entre esses países, com a Índia e África do Sul destoando um pouco mais abaixo, em contrapartida, a Rússia mais acima.

É válido ressaltar que aquelas exorbitantes taxas de juros 14,25% a.a. não nos pertençam mais. Porque isso era péssimo para os empresários e também para o Governo. Taxas naqueles níveis só era bom para quem é rentista.

Voltando ao início do texto… Brasil ter taxas de juros abaixo de 6%a.a. projetadas para o ano que vem, seria muita audácia para um Governo só. Será?

Para os mais novos, quer saber o histórico das taxas juros no Brasil? É só clicar neste link aqui: https://www.bcb.gov.br/Pec/Copom/Port/taxaSelic.asp




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Cuidado com as teorias apocalípticas

Recentemente, recebi um e-mail de um analista de um banco – talvez, seja melhor dizer “ex-banco”, que quebrou durante a crise do sub-prime americano.

Neste e-mail, o analista relata um cenário apocalíptico adiante. Em resumo, ele diz que estamos na Era da Bolha de Tudo. O relatório é em inglês – não descarto a hipótese de que em breve, alguém por aqui copiará o relatório.

Ok, voltando ao assunto sobre o “relatório das trevas”…

Para o analista, a Bolha de Tudo é diferente das demais bolhas do passado, pois agora, toda a bolha irá estourar em cadeia. E, segundo ele, estamos vivenciando seis tipos diferentes de bolhas, como é possível ver no gráfico abaixo, que constava no e-mail.

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As duas primeiras referências, até posso concordar. Talvez, a do ETF, quem sabe…

Só que o mais importante é que ele quer ensinar você a tirar proveito desta bolha. Ou seja, no desenrolar do e-mail ele quer vender um livro que ensina o leitor a entrar vendido e a se proteger, utilizando o investimento em ouro. Em primeiro lugar, entrar short é uma tremenda insanidade. Não faça isso! Agora, se proteger comprando em ouro, isso sim é um ótima forma de investimento, ainda mais no Brasil – próximo post, posso até falar sobre isso.

Pois é, todo o cuidado é pouco nestas horas. Fiquei receoso com esta Teoria, mas não acredite em tudo o que você lê por aí. Como vivemos na era do excesso de informação, qualquer um pode emitir opinião sobre tudo – até eu estou emitindo a minha aqui neste espaço.

Portanto, a dica que fica é desconfiar de tudo o que se lê por aí. Até porque, sempre vai ter alguém querendo tirar proveito disso.




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Enquanto isso na renda fixa…

Pode olhar no book de Ofertas Públicas da sua corretora, aquela debênture e aquele CRI ou CRA acima do CDI ou IPCA + 6%a.a. sumiram da prateleira.

Em época de euforia, até a renda fixa com taxas atrativas evaporaram.

Precisa verificar bem e ler o prospecto com calma. Só assim, para analisar se essa dívida privada que estão oferecendo será boa mesmo.

Como sou receoso como nunca, observo uma penca de ofertas públicas aqui no book, mas não me interessei por nada. Não vejo mas aquele risco com um retorno adequado. Será que ficamos mal acostumados na renda fixa? É possível! Mas como no Brasil a política é uma verdadeira montanha-russa, basta ficarmos na moita, que a oportunidade volta a surgir.

E olha que vai aparecer mais um monte de ofertas públicas por aí, até porque várias empresas estão e irão rolar a dívida. Com a Selic em queda, oportunidade melhor para isso, não há.

Enquanto isso, a renda fixa oferece uma mixaria de retorno. Não vou tomar esse risco por tão pouco, por enquanto.

Aguardemos… assim como na renda variável, na renda fixa também é preciso ter paciência.




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IPO CAML3: boa ou má digestão?

Para quem não conhece, a Camil Alimentos é a empresa que detém as marcas União e Da Barra (açúcar); Coqueiro e Pescador, de enlatados, além de distribuição de grãos de arroz e feijão. A companhia opera no Brasil, Uruguai, Chile e Peru. Possui 29 unidades de processamento e 18 centros de distribuição na América do Sul e exporta para mais de 50 países. E está realizando o IPO com código CAML3.

Ao que tudo indica, a empresa está nos critérios de que precisam ser investida, pois é uma empresa de alimentos – regra básica: todos precisam comer – e ainda é exportadora. Ou seja, está ganhando pontos. Mas vamos aos números divulgados pela empresa:

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E eles parecem bem satisfatórios. DivLiq / Patrim. Liq = 74% e DivLiq / Ebitda = 1,85 – com potencial para ser uma boa pagadora de dividendos.

Porém, tem alguns detalhes que me chamaram a atenção. Confira no trecho abaixo retirado do prospecto da companhia.

A Companhia ainda está em fase de fechamento das demonstrações financeiras referentes ao semestre encerrado em 31 de agosto de 2017 e pretende publicar estas demonstrações financeiras no mês de outubro. Espera-se que o resultado de suas operações no trimestre encerrado em 31 de agosto de 2017 seja inferior, se comparado ao trimestre encerrado em 31 de maio de 2017. Ademais, a Companhia também espera que o resultado de suas operações no semestre encerrado em 31 de agosto de 2017 seja inferior ao mesmo período no ano de 2016. O resultado das operações em 31 de agosto de 2016 foi positivamente influenciado por (i) altos preços históricos de venda de açúcar no mercado brasileiro, resultante de condições favoráveis no mercado internacional; e (ii) boa performance nas vendas de arroz e feijão. Enquanto que no semestre encerrado em 31 de agosto de 2017, os resultados operacionais da Companhia foram negativamente afetados pelo retorno do preço de venda do açúcar aos padrões de mercado.

Ou seja, os resultados virão ruins. E aqueles bons números que você viu lá em cima parecem que foram eventos não recorrentes. Não tem problema nenhum vir apenas um semestre ruim, faz parte, só não pode ter resultados ruins em vários semestres seguidos. Mas vamos em frente…

Outro ponto, digamos assim, preocupante, é que a Companhia possui 97% de sua dívida bruta vencendo nos próximos 5 anos. E foram emitidos R$ 405 milhões em CRA há dois meses para conseguir amortizar essas dívidas e pretende ofertar mais CRAs à vista ou, quem sabe, emitir novas ações em curto espaço de tempo para conseguir liquidar essas dívidas e não sofrer adiante.

A faixa de preço da oferta do IPO da CAML3 está entre R$ 10,50 e R$ 13,00.

Tomando com base o preço médio do IPO, que seria em R$11,75, a empresa estaria a ser negociada com um P/L de cerca de 22,7 vezes. No meu ponto de vista, um pouco elevado. Só para se ter uma ideia, a M. Dias Branco (MDIA3) está sendo negociada, atualmente, ao redor de 19 vezes.

Considerando o patamar de preço de R$ 11,75, a empresa seria negociada com uma relação P/VP de cerca de 3,6 vezes – número um pouco elevado para quem busca valuation. Para se ter uma ideia, voltando a mesma comparação da MDIA3 também está sendo negociada com esta mesma relação, porém opera com um ROE melhor.

Agora quem decide se quiser participar do IPO é você. É uma empresa que faz parte da cesta básica da população brasileira, caso a economia melhore poderá haver uma melhora operacional, porém atualmente a empresa precisa sanar estas dívidas em um curto espaço de tempo. E aí, quem leva a melhor?

Para quem quiser embarcar no IPO, o período de reserva das ações se encerra no dia 19 de setembro. O início de negociação das ações deverá ocorrer no dia 22 de setembro.




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Bonner avisa que a bolsa atinge recorde, mas não é bem assim. Explico…

“A bolsa de valores de São Paulo atingiu hoje o maior nível da história”. Foi assim que o William Bonner leu a cabeça desta reportagem no Jornal Nacional:

Bolsa de Valores de São Paulo atinge maior nível da história: 74 mil pontos

A reportagem mostra que o Ibovespa atingiu o recorde histórico, que era desde 2008. Porém, temos um pequeno equívoco aqui.

Na verdade, o Ibovespa está longe ainda de atingir o recorde histórico, dependendo de outros fatores. O IPCA é um deles e o dólar é outro. Se ajustar o gráfico ajustado pelo IPCA, o Ibovespa está bem distante. Confira só no gráfico abaixo…

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O gráfico está três semanas desatualizado – peguei emprestado do amigo @Malandro, obrigado! – mas atualmente, o Ibovespa rompeu esta linha indicada. Porém, ainda bem afastada do topo histórico.

Portanto, não caia nesta de recorde. Muita calma. Falta uma escalada longa pela frente.




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