Enquanto isso na renda fixa…

Pode olhar no book de Ofertas Públicas da sua corretora, aquela debênture e aquele CRI ou CRA acima do CDI ou IPCA + 6%a.a. sumiram da prateleira.

Em época de euforia, até a renda fixa com taxas atrativas evaporaram.

Precisa verificar bem e ler o prospecto com calma. Só assim, para analisar se essa dívida privada que estão oferecendo será boa mesmo.

Como sou receoso como nunca, observo uma penca de ofertas públicas aqui no book, mas não me interessei por nada. Não vejo mas aquele risco com um retorno adequado. Será que ficamos mal acostumados na renda fixa? É possível! Mas como no Brasil a política é uma verdadeira montanha-russa, basta ficarmos na moita, que a oportunidade volta a surgir.

E olha que vai aparecer mais um monte de ofertas públicas por aí, até porque várias empresas estão e irão rolar a dívida. Com a Selic em queda, oportunidade melhor para isso, não há.

Enquanto isso, a renda fixa oferece uma mixaria de retorno. Não vou tomar esse risco por tão pouco, por enquanto.

Aguardemos… assim como na renda variável, na renda fixa também é preciso ter paciência.




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Faltou tempo, vai na clássica: ITSA e ITUB

Foram menos de quinze minutos de atraso, mas foi o tempo suficente para o Dr. Zé (nome fictício) abrir o homebroker e deixar uma ordem de 500 ITSA4 e 200 ITUB4.

Ao pedir desculpas pelo atraso – detesto não ser pontual – ele dizia que não haveria problemas, pois conseguiu “arrumar a casa” entre um paciente e outro.

Enquanto eu tentava me esquivar do espelhinho e da mini broca que insitiam em chegar próximo a minha boca, notei que o notebook dele estava aberto em uma página que eu aparentemente reconhecia – era o homebroker da mesma corretora que eu utilizava, o layout da página facilitou a identificação.

Ok, sou curioso! E diante do fato, comecei a prestar mais atenção e a tentar identificar o que tinha naquela página aberta. Notei algumas ações soltas em uma lista e eis que no cantinho da tela, consegui perceber que tinha duas ordens de compra de duas ações diferentes – nessas horas aprecio ainda mais por ter dois olhos de lince.

Enquanto aquele barulhinho irritante do motorzinho entre a gengiva e o dente me incomodava, os olhos trabalhavam para tentar identificar as duas ações. De repente, o computador soltou um ruído, justamente na hora em que o motorzinho, finalmente, havia parado para uma pausa. Agora, todos os olhos haviam voltado para a mesma cena, o notebook.

A princípio, só consegui identificar o “I”, seguido pelo “T”. Mas reparei que as mesmas letras iniciais haviam se repetido na coluna abaixo. Enquanto o motorzinho voltava a trabalhar como se não houvesse amanhã, pensei: “Não é possível, ele comprou ITUB e ITSA! Então, está sabendo investir bem, não vou falar nada”.

Deveria ser por causa da anestesia bocal, mas não é que no final soltei, sem querer, um “Abraços, Dr. Zé. Boas aquisições, heim…”. Com cara de surpreso, ele deu uma risadinha e emendou: “São as compras do mês, as clássicas Itaú e a úsa(sic)” – referindo-se a Itaúsa.

Bem, pelo visto, já temos assunto para o nosso reencontro para daqui a seis meses.

O que fica é a lição do doutor. Se, por acaso, sobrou apenas um curto intervalo livre na agenda de compromissos, e não vai dar tempo para analisar muito, “vai na clássica mesmo (ITSA e ITUB), pois o resultado é garantido”!




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Diálogos – qual pessoa você é?

A: Eu não leio todos os balanços!

B: Meu Deus do Céu, como você tem a audácia de dizer isso. Seu insano! Você não tem amor pelo seu dinheiro?

A: Não vou perder meu tempo lendo aquela papelada toda em todo trimestre. Prefiro ler um livro, viajar, ir no cinema. Aliás se somar todos os relatórios são mais de 700 páginas no total, para quê?

B: Como para quê? Para verificar se a empresa está boa. Se vier ruim, eu vendo.

A: Eu não me desfaço das minhas ações apenas por causa de um balanço ruim.

B: Seu louco! Você não viu que Ambev soltou um balanço ruim, queda e tudo mais!

A: Mas eu continuo vendo as pessoas bebendo cerveja do mesmo jeito.

B: Mas a venda no trimestre caiu 5%.

A: É melhor tomarmos um chopp para você esfriar a cabeça.

Esse diálogo foi criado baseado no que eu vejo por aí. Muita gente vendendo as ações (patrimônio) apenas por causa de um balanço. Eu citei a Ambev, mas poderia ser a BBSeguridade ou a Taesa e por aí vai.

Ahhh. antes que eu esqueça: Tente ser a pessoa A, ao invés da B. #paz




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“Com a Selic em queda, a poupança volta a ficar atrativa?”

Foi esta pergunta que me fizeram por e-mail e vou responder por aqui.

De imediato, digo que NÃO.

Mesmo com o sétimo corte seguido na taxa Selic aplicado pelo Copom, a poupança segue desfavorável. Atualmente, a taxa Selic está em 9,25% ao ano. E pelo anúncio, é bem provável que ocorram mais cortes nas próximas reuniões. É possível que até ao final do ano, a Selic atinja o patamar de 7% ao ano.

Assim como em outras aplicações de renda fixa, a poupança também é afetada com os juros básicos menores.

Quando a Selic ficar menor que 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança também será reduzida. Desta forma, a poupança passará a render 70% da taxa Selic + a taxa referencial.

E mesmo que a Selic caia ainda mais, com os juros menores que o atual, a poupança continuará sendo menos vantajosa que as aplicações consideradas “colchões de segurança” ou “reserva de emergência”, entre elas o Tesouro Selic (LFT); o CDB que entregue pelo menos 100% do CDI – com liquidez diária; e o Fundo DI com baixa taxa de administração – vale ressaltar que baixa taxa de administração é o fundo que cobra no máximo até 0,3%.

Portanto, não se preocupe. Não é hora de migrar a sua reserva de emergência para a poupança. O seu colchão de segurança ainda está rendendo melhor que a velha caderneta.




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Se quiser tirar outras dúvidas ou se quiser falar comigo, pode escrever nos comentários abaixo ou em qualquer comentário de outro post. Se preferir, pode me enviar e-mail para o contato@50segundos.com

Acabou a moleza dos juros altos

Em janeiro deste ano, escrevia este texto aqui: Com juros reais tão altos é impossível ser empreendedor.

Falava da dificuldade em tomar juros para poder empreender. Porque com os juros altos, é bem arriscado ao abrir um negócio. Por isso, era mais cômodo ser funcionário público (ou ser um empregado) e investir apenas na renda fixa. Até porque com os juros de 14,25% a.a. na Selic era só depositar R$500,00 todo mês que em 20 e poucos anos uma pessoa saia de zero a um milhão. Que simples!

Portanto, para as empresas investirem era preciso que esses juros caíssem. E todos já repararam que os juros brasil estão em queda livre. Ou seja, está na hora das empresas correrem mais riscos e, claro, você investidor correr mais riscos para obter maiores retornos. Até porque, se você quiser alcançar a cifra do “milhão” vai demorar mais tempo investindo somente em LFT.

Por conta disso, os olhos estão voltados para a bolsa brasileira para superar a renda fixa. Mas não saia comprando qualquer coisa por aí, só porque o Brasil vai melhorar ou a bolsa vai subir. Está na hora da análise fundamentalista. Os investidores terão que saber escolher em qual ação investir ou em qual empresa abrir. Voltamos a era da análise.

Juros baixos é normal em qualquer país do mundo. Teremos que nos acostumar a termos juros baixos. Acabou a farra dos juros altos.




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O que aprendemos no dia 18 de maio?

Está anotado no meu calendário, dia 18 de maio, o dia que a Bovespa travou as negociações por alguns minutos.

É um evento raro. O anterior a este, havia acontecido lá em 2008, no dia 29 de setembro, quando o pacote de ajuda ao mercado financeiro foi rejeitado na Câmara dos Representantes do Congresso Americano.

E o que devemos fazer quando acontece isso?

Como eu disse, no post Muita Calma! Não entre em pânico!!! o certo é não fazer nada, não vender nada e, quem sabe, aproveitar. Sim, tivemos ótimas barganhas.

Aproveitei duas oportunidades, uma no setor bancário e outra no setor elétrico. E foram posições pequenas. Apenas para aproveitar os preços baixos.

Dependendo do cenário, ninguém sabe ao certo o que virá pela frente. Por isso, escrevi há algumas semanas o post “Ninguém sabe o que vai acontecer”. Por isso, desconfie dos otimistas demais e dos pessimistas ao extremo.

Aprendemos que devemos nos proteger, sempre. E estar diversificado. Por isso, tinha proteção de ativos em dólar na minha carteira, que surfou com a alta volatilidade na bolsa. Mas não vendi, apenas observei a valorização. Até porque, havia comprado na baixa. O mantra mais uma vez se define, compre na baixa e aguarde a valorização.

Aprendemos que devemos ter caixa para estar preparado para estas oportunidades raras. Infelizmente, tinha pouco caixa para este momento. Fica a lição. Poderia ter retirado parte da Reserva de Emergência? Poderia, mas reserva de emergência não é para estas situações.

É isso! Não se subestime! Investimento é para o longo prazo. Oscilações fazem parte da trajetória.




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A dica da semana é o livro Um Novo Jeito de Trabalhar, de Lazlo Bock.

Gastamos mais o nosso tempo trabalhando do que em cima do colchão ou próximo de nossas famílias. Por conta disso, algumas empresas mudaram o paradigma e transformaram o local de trabalho em algo inovador e prazeroso. É o fim do ambiente de trabalho monótono e do emprego cansativo. Seja bem-vindo, ao Novo Jeito de Trabalhar. Devorei o livro em dois dias.

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Muita calma! Não entre em pânico!!!

Serei breve. Não venda suas posições.

É preciso ter sabedoria. Por isso, insistia na compra de ativos atrelados ao dólar há dois meses, quando estavam baratos. Insiti para vender metade da sua posição, caso você tivesse feito lucro com mais de 100% no ativo.

Investir na bolsa é preciso ter estômago para aguentar as volatilidades.

Quem sabe, surjam até produtos com extrema barganha. Black Thursday na Bovespa. Mas mantenha a calma. Apenas, fique quieto no seu canto.

Repito: serenidade. Não entre em pânico. Você precisa ser diferenciado. Não siga a manada. Força aí.

Abs,

50segundos