O vilão é o E-mail Marketing

Uma das principais casas de research de investimento do país foi penalizada por induzir o leitor/investidor de que teria retorno garantido ao investir em uma determinada aplicação.

A defesa deles é que o e-mail marketing disparado sobre o tais investimentos não foram escritas pelos analistas, e sim, pela equipe de marketing.

Jogaram a culpa para o lado da corda mais fraca – até já havia anunciado que o marketing poderia ser o vilão dos investidores, relembre aqui o texto “Não caia nestas armadilhas”.

Entretanto, em outras casas de research independentes e também na de cursos de coaching/investimento o problema é o mesmo. Não estão sabendo mais utilizar o marketing de forma positiva.

Quer um exemplo?

Confira os prints abaixo, retirados da caixa de e-mail do meu celular:

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Os dois e-mails foram disparados no mesmo dia, e com menos de 50 min de diferença entre um e outro. Curioso, não?

Afinal, a culpa é de quem?

Infelizmente, sim é a do marketing, até porque não foram os analistas que escreveram. Espero que vocês, de marketing, me entendam. É para o bem de todos.

É hora de repensar no conceito. O que era inovador, confesso, que já ficou ultrapassado.

E, você, cuidado na hora de ler e acreditar em todos os e-mails que lê por aí. É preciso ficar atento!




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Pesquisa de campo: análise fora dos balanços

Você sabe no que você investe?

Fiz esta pergunta porque muita gente investe ser ter a mínima ideia no que se está investindo.

Porque as pessoas compram uma determinada ação ao longo prazo sem saber nada sobre a empresa.

Após olhar o balanço da empresa e ter me interessado pelos resultados, eu inicio um outro passo que é análise do produto.

Exemplifico:

– Após conferir os balanços da Grendene, vou ao mercado ou ao shopping mais próximo, checar as sandálias vendidas pela marca. O ideal seria eu mesmo utilizar o produto e verificar se é de boa qualidade. Porém, caso não goste do produto no momento, até porque eu posso não ser o público alvo da empresa, eu dou de presente a alguém com um perfil semelhante ao público daquela marca.

Ao passar alguns dias, eu pergunto para a pessoa, para qual eu entreguei a sandália, se o produto era bom mesmo. Obviamente, ela sempre fala que sim, até pela simpatia. Porém, aviso que eu também havia comprado para uso pessoal e começo a falar mal do produto, por exemplo, tipo a borracha rasgou ou arrebentou, só para instigar a pessoa. Com isso, ela pode ser sincera, caso tenha tido algum defeito no produto ou elogiar fielmente o produto, ao afirmar que está em perfeito estado.

Esse método é possível aplicar com algumas empresas listadas. Essa análise você não consegue enxergar olhando apenas o balanço, é preciso estar na rua, longe do computador. Gosto de utilizar essa maneira de verificar se a empresa entrega um produto bom, de qualidade. Isso pode ser replicado em farmácias, supermercados, bebidas, pontos de fidelidade, cliente de bancos, ensino e por aí vai…

– Outro exemplo que seria ideal era verificar in loco os investimentos em fundos imobiliários. Claro que é impossível para várias pessoas ficar viajando por aí, visitando todos os imóveis. Mas tem maneiras simples e eficazes de verificar o empreendimento.

Uma delas é o famoso Google Maps. Abre a página e digite o endereço do edifício. Assim é possível verificar a estrutura e fachada, além da movimentação da rua e o comércio ao redor. Com um simples acesso a internet é possível checar essas informações.

Outro ponto interessante é ligar para os lojistas do shopping de outra cidade, no qual você está querendo adicionar na sua carteira. Já fiz isso e já falei pelo telefone com alguns lojistas – só digitar no google que você encontra o telefone da loja – a maioria das vezes não fui sucedido, mas nas boas tentativas, consegui obter informações relevantes: como queda no número de circulação de pessoas, aumento no número de lojas fechando as portas, aumento futuro no preço do aluguel das lojas.

Complementando essa pesquisa telefônica, já liguei para um restaurante em frente a um edifício comercial e perguntei sobre a reforma do prédio, sobre a quantidade de pessoas que entra no prédio, e por aí vai. Brasileiro é fofoqueiro por natureza e basta falar com educação com as pessoas, que elas se abrem e contam sobre o que você queria saber.

Por isso que digo que pesquisa de campo é uma boa forma de avaliar a empresa. Balanço por si só, traz apenas números. É preciso checar ao vivo. Claro que seria um parto fazer isso com todas as empresas. Mas sempre que possível, tente fazer esta avaliação.




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Trienal da Crise Hídrica: problemas e oportunidades

Uma das principais virtudes de um investidor é ter a sabedoria de continuar investindo em uma empresa boa, mesmo que ela tenha registrado quedas nos últimos meses ou que tenha andado de lado no último ano.

Até porque você estudou a empresa com afinco, e sabe que as quedas nas cotações, que acontecem no momento, pode ser motivadas por um fator macro ou uma queda setorial. Portanto, não afetariam diretamente a empresa. Por conta disso, talvez chegue o momento até de fazer mais compras, pois o preço voltaria a ficar atrativo.

Fiz essa introdução para exemplificar de que não estava na minha planilha que teríamos uma crise hídrica no Brasil a cada três anos. E muito menos nas análises fundamentalistas dos gestores de empresas de energia. Enquanto isso, o “mercado” está refazendo os cálculos.

Aquela crise hídrica em 2014 ficou marcado. A escassez de água acarretou a um menor nível dos reservatórios, que ocasionou a um racionamento de água, consequentemente prejudicou a geração de energia e o abastecimento de água.

Parece que o problema de três anos atrás, será repetido neste ano.

Não estava nos planos que a região Sudeste e o Centro-Oeste sofreria com a seca a cada três anos. Caso o país sofra constantes secas ao longo dos próximos anos, empresas geradoras de energia elétrica no Brasil, voltadas para as usinas hidrelétricas, podem se deteriorar ao longo do tempo, caso elas fiquem estagnadas. Com isso, é preciso ter em mente a diversificação da geração, através de energias renováveis, como a eólica e a solar.

Por conta disso, está na hora de dar uma estudada nas empresas geradoras de energia. Verificar caso a caso, pois podem ter algumas listadas que podem ter problemas à vista, caso a seca prejudique estas regiões em triênios, resultando em retorno cada vez menor ao acionista. Ou quem sabe, com estas quedas nos preços atuais, podem surgir oportunidades em boas empresas, que já estão com a cabeça voltadas para a geração de energia renovável.

Com esta queda nas cotações do setor de energia, tem algumas empresas que estão sendo puxadas para baixo, sem ter relação alguma com o setor de geração. Uma delas é o setor de transmissão.

Porque as transmissoras não são remuneradas pelo volume de energia, e sim pela disponibilidade das instalações. A energia elétrica precisa ser transmitida, faça chuva ou faça sol. Por conta disso, estas empresas são mais estáveis. O pior cenário para as transmissoras é risco regulatório e o período de concessões. Para isso, é preciso estudar case a case.

Com a crise hídrica, é hora de separar o que pode vir a ter problemas à frente ou, quem sabe, oportunidades à vista.




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Não caia nestas armadilhas

O que você vai ler abaixo, são estratégias para te fisgar. Sim, é para atrair a sua atenção.

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Sim, recebi esses anúncios pelo e-mail nos últimos dias. E como a bolsa está em níveis cada vez mais elevados, o marketing das empresas está bem agressivo. Não acredite em tudo o que lê por aí, desconfie sempre e seja crítico. Não acredite tanto assim em resultados milagrosos da noite para o dia. Isso é igual ao anúncio do “trago a pessoa amada em 3 dias!”. Não reparou que é bem semelhante?

Essa agressividade foi explorada e utilizada por um grande especialista em marketing digital no Brasil, mas não quero fazer propaganda gratuita dele. Afinal, o curso dele é muito bom, por sinal. Porém, está mais do mesmo. E todos repetem a mesma receita de bolo, sejam elas casas de análises, cursos de trader, coaching “financeiro”, pirâmides financeiras e tantos outros. Todas utilizam o mesmo artifício, sem exceção. Para atrair o consumidor, dizem que o produto vai esgotar em poucas horas, por causa do alto número de acessos…

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… ou que o produto é uma de oportunidade rara e restrita e, portanto, são para poucos clientes…

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… ou que o servidor parou de funcionar por causa da alta demanda, e por isso vai extender a oferta do produto.

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Desconfie que isso tenha realmente acontecido. Isso é para você se inscrever imediatamente e desembolsar a quantia necessária para comprar o produto oferecido. E como tem muitos iniciantes na bolsa recentemente, tudo por causa das altas dos últimos meses, os novatos, em busca do santo milagroso, acabam aceitando o produto, sem antes raciocinar e ter senso crítico. Uma pena! E depois vão culpar o mercado, e no futuro vão contar para os mais próximos que a bolsa é cassino e não serve para ele. Desculpe ser o “Mister M” da vez, mas precisam inventar outra fórmula.

Fique esperto.

Desculpe o desabafo.

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Não poderia deixar de mencionar o brilhante Pedro Damasceno. Aos 47 anos, nos deixou nesta semana, e deixou um legado. Foco em valor ao cotista no longo prazo e adepto do value-investing. Foi gestor da Dynamo. O fundo Dynamo Cougar rendeu 7.000% desde a fundação, em 1993, descontada a inflação durante o período. Se não me falha a memória, a Dynamo está fechada há mais dez anos para novos cotistas. Sabe aquele arrependimento de uma vida: de não ter sido cotista da Dynamo lá nos primórdios.

Para quem não o conhece, eis uma entrevista que ele concedeu ao Thiago Salomão, no final de 2016.

Espero que após ouvir o Pedro, tenha em mente que bolsa é para o longo prazo. Não caia na tentação de fazer trades curtos e alavancados. A sua mente investidora precisa estar voltada para ativos que gerem valor. Para isso, precisa estudar o mínimo da essência do value-investing, até porque no longo prazo, costuma compensar.




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Precisamos falar sobre a taxa de juros futura

Queria escrever este texto, porque leio e ouço burburinhos por aí que teremos em breve um país com uma taxa de juros de 6%a.a. ou até menos.

É possível isso acontecer? Na verdade, no Brasil tudo pode acontecer. Mas pela nossa história de juros e comparando com a de outros países em desenvolvimento, é provável que não.

“Ahhh 50segundos, mas desta vez é diferente!”, você poderia dizer isso!

Vamos comparar a tabela dos juros praticados no Brasil com a de outros países…
(Dependendo do dia que você ler este texto, a tabela pode estar desatualizada)

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Até a última reunião do Copom, estávamos na liderança do ranking, citado acima. Hoje, é a Rússia. Podemos dizer que os nossos concorrentes diretos são o México e a Turquia – não, não podemos nos comparar com o Chile ainda.

Atualmente, a taxa mexicana está em 7% e a turca em 8%, enquanto a brasileira, está em 8,25%. Ou seja, estamos quase na média entre esses países. É provável que ocorra mais uma queda na próxima reunião de Copom. Para aí sim, ficarmos em níveis de igualdade entre esses países, com a Índia e África do Sul destoando um pouco mais abaixo, em contrapartida, a Rússia mais acima.

É válido ressaltar que aquelas exorbitantes taxas de juros 14,25% a.a. não nos pertençam mais. Porque isso era péssimo para os empresários e também para o Governo. Taxas naqueles níveis só era bom para quem é rentista.

Voltando ao início do texto… Brasil ter taxas de juros abaixo de 6%a.a. projetadas para o ano que vem, seria muita audácia para um Governo só. Será?

Para os mais novos, quer saber o histórico das taxas juros no Brasil? É só clicar neste link aqui: https://www.bcb.gov.br/Pec/Copom/Port/taxaSelic.asp




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“Comprei XXXA4”

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Alguém me repassou este print por e-mail e preservou o nome da pessoa que fez esta análise. Porém, por curiosidade, a pessoa queria saber a minha opinião sobre a empresa.

Em primeiro lugar, todo cuidado é pouco. Estas “dicas quentes” de analistas ou de algum coleguinha é perigoso. Até porque ele comprou a ação por um preço mais baixo – ou até mais alto – e está doido para que o volume das compras aumente fazendo com que a cotação da ação suba vertiginosamente.

Desconfie da pessoa que faça este tipo de abordagem.

Neste caso acima, ele até diz que é um pedaço de sua carteira para colocar em risco. Ou seja, é para investir com pouco capital mesmo. Até porque, uma empresa que tem como sócio a família Maluf é um negócio bem arriscado mesmo.

Em relação a EUCA4, a empresa negocia P/VP próximo de 0,30. E a Div.Liq/Patrim.Liq abaixo de 30%. Parece que os números são bons. Mas o ROE ainda é sofrível. E como eu disse acima, ser sócio da família Maluf não é nada agradável.

Mas quem sou eu para dar dicas, eu prefiro alertar você a ser mais desconfiado e não acreditar em tudo o que lê por aí. Invista no seu conhecimento e não nas dicas dos outros.

“Não é porque a bolsa brasileira está subindo, que todos os ativos precisam subir também” – 50segundos




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Cuidado com as teorias apocalípticas

Recentemente, recebi um e-mail de um analista de um banco – talvez, seja melhor dizer “ex-banco”, que quebrou durante a crise do sub-prime americano.

Neste e-mail, o analista relata um cenário apocalíptico adiante. Em resumo, ele diz que estamos na Era da Bolha de Tudo. O relatório é em inglês – não descarto a hipótese de que em breve, alguém por aqui copiará o relatório.

Ok, voltando ao assunto sobre o “relatório das trevas”…

Para o analista, a Bolha de Tudo é diferente das demais bolhas do passado, pois agora, toda a bolha irá estourar em cadeia. E, segundo ele, estamos vivenciando seis tipos diferentes de bolhas, como é possível ver no gráfico abaixo, que constava no e-mail.

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As duas primeiras referências, até posso concordar. Talvez, a do ETF, quem sabe…

Só que o mais importante é que ele quer ensinar você a tirar proveito desta bolha. Ou seja, no desenrolar do e-mail ele quer vender um livro que ensina o leitor a entrar vendido e a se proteger, utilizando o investimento em ouro. Em primeiro lugar, entrar short é uma tremenda insanidade. Não faça isso! Agora, se proteger comprando em ouro, isso sim é um ótima forma de investimento, ainda mais no Brasil – próximo post, posso até falar sobre isso.

Pois é, todo o cuidado é pouco nestas horas. Fiquei receoso com esta Teoria, mas não acredite em tudo o que você lê por aí. Como vivemos na era do excesso de informação, qualquer um pode emitir opinião sobre tudo – até eu estou emitindo a minha aqui neste espaço.

Portanto, a dica que fica é desconfiar de tudo o que se lê por aí. Até porque, sempre vai ter alguém querendo tirar proveito disso.




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