Reserva de Emergência: onde aplicar?

Publiquei este post há quase um ano. De lá para cá, a taxa Selic mudou e outras visões também mudaram. Por isso, decidi modificar o texto.

Não adianta planejar a vida financeira sem antes ter um capital separado para a reserva de emergência ou também conhecido como “colchão de segurança”.

Esse deve ser o primeiro passo – e também o mais importante – para ter a segurança necessária para investir.

Desta forma, muitos sem conhecer adequadamente os instrumentos financeiros para aplicar a sua reserva de emergência ainda apelam apenas para a poupança.

Hoje, a poupança rende equivalente a 5,71% a.a. líquido de IR. Parece uma boa opção para você? Acredite, há outras ainda melhores…

Porém, podemos fugir da poupança, com a mesma segurança, liquidez e rentabilidade melhor. Vamos os casos:

1) Se investir em um CDB de liquidez diária ou (D+1), que remunere 100% do CDI, conseguirá um rendimento líquido anual de 6,51%.

Se deixar maturar o investimento por mais tempo, o rendimento irá melhorar ainda mais. Se deixar aplicado por dois anos, a rentabilidade líquida irá para 6,76% a.a. Se for em três anos, passa para 6,99% a.a.

Por conta disso, apenas com essa aplicação já temos uma rentabilidade melhor que a poupança e também com a mesma segurança. Porém, dificilmente em um banco grande, você encontrará um CDB com 100% do CDI de liquidez diária.

Para isso, é preciso encontrar essas taxas atrativas nos bancos pequenos ou médios ou através das corretoras – relembre aqui, o post em que explico qual o aplicativo para encontrar as melhores taxas na renda fixa.

É válido ressaltar que os bancos médios também contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), da mesma forma que os bancos grandes. Claro que o risco dos pequenos ou médios quebrarem é um pouco maior. Neste caso, caso o banco sofra liquidação judicial, o investidor não receberá a quantia aplicada imediatamente, pois o FGC leva um certo tempo até organizar a lista de todos os beneficiários. Em média, de 3 a 4 meses é o prazo para o investidor recuperar o dinheiro aplicado.

É importante dizer que o FGC só garante até R$ 250.000,00 por CPF investido em cada banco. Por isso, nada de deixar acima desta quantia citada em um banco apenas. É válido diversificar. Vou repetir: diversificar sempre. Mas como estamos falando de colchão de segurança, dificilmente você terá uma reserva de emergência acima de 250mil reais.

No meu caso, eu tenho sim um investimento em um CDB de liquidez diária. Está lá, para caso eu precise resgatar. Notícias recentes até me fizeram repensar, pois o banco em que eu investia a minha reserva de emergência teve operação da Polícia Federal. E como colchão de segurança é preciso deixar em “local seguro”, nada mais justo que fazer uma modificação. Retirei grande parte dele (não a totalidade) do CDB deste banco citado e apliquei em uma LFT…

2) Título do Tesouro Direto atrelado a Taxa Selic (LFT).

Em relação ao LFT, remunera 100% da SELIC, que é sempre ligeiramente superior ao CDI.

Entretanto, possui uma cobrança de taxa de custódia obrigatória de 0,3% ao ano, o que praticamente empata com o CDI.

É válido ressaltar que caso opte por investir no Tesouro Direto, através de um banco grande, também há uma taxa de administração. Neste caso, o CDB 100% atrelado ao CDI, renderá um pouco mais. Por isso, escolha sempre investir no Tesouro Direto através de corretoras que não cobram taxa de administração – a famosa taxa zero.

Caso você precise resgatar a LFT, ele só estará disponível em D+1. Isto é, o dinheiro resgatado estará disponível na sua conta apenas no dia seguinte. E mesmo que você resgate o dinheiro antes do prazo final de investimento pode ficar tranquilo, pois não há perda de rentabilidade.

No meu caso, a maior parte da minha reserva de emergência está atrelado ao LFT, Tesouro Selic. Uma outra parte, como já citado, está em um CDB de liquidez diária. Uma outra parte está atrelada ao Fundo de Investimento de Renda Fixa com Liquidez Imediata…

3) Fundo de Investimento de Renda Fixa com Liquidez Imediata

Nas grandes corretoras, há fundos de investimento de renda fixa com liquidez imediata. Ou seja, ao pedir o resgate, antes das 13h30, você recebe o dinheiro no mesmo dia. Porém, há algumas pegadinhas que você deve evitá-las.

Há fundos que cobram 0,5% a.a. de taxa de administração. Fuja desses fundos. Se tiver esta taxa de administração, não compensa. Há excelentes fundos de liquidez imediata que cobre 0,2% e até 0,15 a.a. de taxas. É só consultar o book da sua corretora. Três boas dicas: Órama DI Tesouro – cobra 0,2%a.a. de taxa; XP Tesouro LFT – cobra 0,2%a.a.; e o SulAmerica Exclusive FI Diferenciado – cobra 0,15% a.a., porém este último pede um alto valor para ingressar no fundo, acima de R$50.000,00.

E também uma outra minúscula parte, apenas 3% do meu colchão de segurança, está aplicado em uma poupança…

4) Poupança – é bem famosa pelos brasileiros. A parte boa dela é que você pode resgatar no mesmo dia. É útil para casos urgentes, que necessita de pagamento imediato.

Entretanto, o rendimento dela ocorre apenas na data de aniversário da aplicação. Ou seja, se você deixar seu dinheiro aplicado por 29 dias e retirá-lo, você não receberá nada a mais de juros investido. Ao contrário dos CDBs e LFT, no qual a remuneração é por cada um desses 29 dias aplicados.

Para quem é ultra conservador e não larga mão da poupança, experimente utilizar os quatro casos citados ao mesmo tempo, assim como eu. Utilize um terço da reserva de emergência no banco médio em CDB de liquidez diária, a outra parte em LFT e outra em um fundo de investimento de renda fixa. A sobra, da sobra, da sobra, você coloca na poupança. Assim, o risco fica mais diluído, sem perder a rentabilidade. Até porque colchão de segurança está lá para garantir a sua estabilidade no futuro, caso um dia você precise resgatar.




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