“Comprei XXXA4”

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Alguém me repassou este print por e-mail e preservou o nome da pessoa que fez esta análise. Porém, por curiosidade, a pessoa queria saber a minha opinião sobre a empresa.

Em primeiro lugar, todo cuidado é pouco. Estas “dicas quentes” de analistas ou de algum coleguinha é perigoso. Até porque ele comprou a ação por um preço mais baixo – ou até mais alto – e está doido para que o volume das compras aumente fazendo com que a cotação da ação suba vertiginosamente.

Desconfie da pessoa que faça este tipo de abordagem.

Neste caso acima, ele até diz que é um pedaço de sua carteira para colocar em risco. Ou seja, é para investir com pouco capital mesmo. Até porque, uma empresa que tem como sócio a família Maluf é um negócio bem arriscado mesmo.

Em relação a EUCA4, a empresa negocia P/VP próximo de 0,30. E a Div.Liq/Patrim.Liq abaixo de 30%. Parece que os números são bons. Mas o ROE ainda é sofrível. E como eu disse acima, ser sócio da família Maluf não é nada agradável.

Mas quem sou eu para dar dicas, eu prefiro alertar você a ser mais desconfiado e não acreditar em tudo o que lê por aí. Invista no seu conhecimento e não nas dicas dos outros.

“Não é porque a bolsa brasileira está subindo, que todos os ativos precisam subir também” – 50segundos




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Cuidado com as teorias apocalípticas

Recentemente, recebi um e-mail de um analista de um banco – talvez, seja melhor dizer “ex-banco”, que quebrou durante a crise do sub-prime americano.

Neste e-mail, o analista relata um cenário apocalíptico adiante. Em resumo, ele diz que estamos na Era da Bolha de Tudo. O relatório é em inglês – não descarto a hipótese de que em breve, alguém por aqui copiará o relatório.

Ok, voltando ao assunto sobre o “relatório das trevas”…

Para o analista, a Bolha de Tudo é diferente das demais bolhas do passado, pois agora, toda a bolha irá estourar em cadeia. E, segundo ele, estamos vivenciando seis tipos diferentes de bolhas, como é possível ver no gráfico abaixo, que constava no e-mail.

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As duas primeiras referências, até posso concordar. Talvez, a do ETF, quem sabe…

Só que o mais importante é que ele quer ensinar você a tirar proveito desta bolha. Ou seja, no desenrolar do e-mail ele quer vender um livro que ensina o leitor a entrar vendido e a se proteger, utilizando o investimento em ouro. Em primeiro lugar, entrar short é uma tremenda insanidade. Não faça isso! Agora, se proteger comprando em ouro, isso sim é um ótima forma de investimento, ainda mais no Brasil – próximo post, posso até falar sobre isso.

Pois é, todo o cuidado é pouco nestas horas. Fiquei receoso com esta Teoria, mas não acredite em tudo o que você lê por aí. Como vivemos na era do excesso de informação, qualquer um pode emitir opinião sobre tudo – até eu estou emitindo a minha aqui neste espaço.

Portanto, a dica que fica é desconfiar de tudo o que se lê por aí. Até porque, sempre vai ter alguém querendo tirar proveito disso.




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Enquanto isso na renda fixa…

Pode olhar no book de Ofertas Públicas da sua corretora, aquela debênture e aquele CRI ou CRA acima do CDI ou IPCA + 6%a.a. sumiram da prateleira.

Em época de euforia, até a renda fixa com taxas atrativas evaporaram.

Precisa verificar bem e ler o prospecto com calma. Só assim, para analisar se essa dívida privada que estão oferecendo será boa mesmo.

Como sou receoso como nunca, observo uma penca de ofertas públicas aqui no book, mas não me interessei por nada. Não vejo mas aquele risco com um retorno adequado. Será que ficamos mal acostumados na renda fixa? É possível! Mas como no Brasil a política é uma verdadeira montanha-russa, basta ficarmos na moita, que a oportunidade volta a surgir.

E olha que vai aparecer mais um monte de ofertas públicas por aí, até porque várias empresas estão e irão rolar a dívida. Com a Selic em queda, oportunidade melhor para isso, não há.

Enquanto isso, a renda fixa oferece uma mixaria de retorno. Não vou tomar esse risco por tão pouco, por enquanto.

Aguardemos… assim como na renda variável, na renda fixa também é preciso ter paciência.




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IPO CAML3: boa ou má digestão?

Para quem não conhece, a Camil Alimentos é a empresa que detém as marcas União e Da Barra (açúcar); Coqueiro e Pescador, de enlatados, além de distribuição de grãos de arroz e feijão. A companhia opera no Brasil, Uruguai, Chile e Peru. Possui 29 unidades de processamento e 18 centros de distribuição na América do Sul e exporta para mais de 50 países. E está realizando o IPO com código CAML3.

Ao que tudo indica, a empresa está nos critérios de que precisam ser investida, pois é uma empresa de alimentos – regra básica: todos precisam comer – e ainda é exportadora. Ou seja, está ganhando pontos. Mas vamos aos números divulgados pela empresa:

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E eles parecem bem satisfatórios. DivLiq / Patrim. Liq = 74% e DivLiq / Ebitda = 1,85 – com potencial para ser uma boa pagadora de dividendos.

Porém, tem alguns detalhes que me chamaram a atenção. Confira no trecho abaixo retirado do prospecto da companhia.

A Companhia ainda está em fase de fechamento das demonstrações financeiras referentes ao semestre encerrado em 31 de agosto de 2017 e pretende publicar estas demonstrações financeiras no mês de outubro. Espera-se que o resultado de suas operações no trimestre encerrado em 31 de agosto de 2017 seja inferior, se comparado ao trimestre encerrado em 31 de maio de 2017. Ademais, a Companhia também espera que o resultado de suas operações no semestre encerrado em 31 de agosto de 2017 seja inferior ao mesmo período no ano de 2016. O resultado das operações em 31 de agosto de 2016 foi positivamente influenciado por (i) altos preços históricos de venda de açúcar no mercado brasileiro, resultante de condições favoráveis no mercado internacional; e (ii) boa performance nas vendas de arroz e feijão. Enquanto que no semestre encerrado em 31 de agosto de 2017, os resultados operacionais da Companhia foram negativamente afetados pelo retorno do preço de venda do açúcar aos padrões de mercado.

Ou seja, os resultados virão ruins. E aqueles bons números que você viu lá em cima parecem que foram eventos não recorrentes. Não tem problema nenhum vir apenas um semestre ruim, faz parte, só não pode ter resultados ruins em vários semestres seguidos. Mas vamos em frente…

Outro ponto, digamos assim, preocupante, é que a Companhia possui 97% de sua dívida bruta vencendo nos próximos 5 anos. E foram emitidos R$ 405 milhões em CRA há dois meses para conseguir amortizar essas dívidas e pretende ofertar mais CRAs à vista ou, quem sabe, emitir novas ações em curto espaço de tempo para conseguir liquidar essas dívidas e não sofrer adiante.

A faixa de preço da oferta do IPO da CAML3 está entre R$ 10,50 e R$ 13,00.

Tomando com base o preço médio do IPO, que seria em R$11,75, a empresa estaria a ser negociada com um P/L de cerca de 22,7 vezes. No meu ponto de vista, um pouco elevado. Só para se ter uma ideia, a M. Dias Branco (MDIA3) está sendo negociada, atualmente, ao redor de 19 vezes.

Considerando o patamar de preço de R$ 11,75, a empresa seria negociada com uma relação P/VP de cerca de 3,6 vezes – número um pouco elevado para quem busca valuation. Para se ter uma ideia, voltando a mesma comparação da MDIA3 também está sendo negociada com esta mesma relação, porém opera com um ROE melhor.

Agora quem decide se quiser participar do IPO é você. É uma empresa que faz parte da cesta básica da população brasileira, caso a economia melhore poderá haver uma melhora operacional, porém atualmente a empresa precisa sanar estas dívidas em um curto espaço de tempo. E aí, quem leva a melhor?

Para quem quiser embarcar no IPO, o período de reserva das ações se encerra no dia 19 de setembro. O início de negociação das ações deverá ocorrer no dia 22 de setembro.




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Bonner avisa que a bolsa atinge recorde, mas não é bem assim. Explico…

“A bolsa de valores de São Paulo atingiu hoje o maior nível da história”. Foi assim que o William Bonner leu a cabeça desta reportagem no Jornal Nacional:

Bolsa de Valores de São Paulo atinge maior nível da história: 74 mil pontos

A reportagem mostra que o Ibovespa atingiu o recorde histórico, que era desde 2008. Porém, temos um pequeno equívoco aqui.

Na verdade, o Ibovespa está longe ainda de atingir o recorde histórico, dependendo de outros fatores. O IPCA é um deles e o dólar é outro. Se ajustar o gráfico ajustado pelo IPCA, o Ibovespa está bem distante. Confira só no gráfico abaixo…

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O gráfico está três semanas desatualizado – peguei emprestado do amigo @Malandro, obrigado! – mas atualmente, o Ibovespa rompeu esta linha indicada. Porém, ainda bem afastada do topo histórico.

Portanto, não caia nesta de recorde. Muita calma. Falta uma escalada longa pela frente.




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Um novo capítulo das criptomoedas

Assista ao vídeo abaixo. Fique tranquilo, são só os 15 primeiros segundos.

É ela mesmo. É a Whoopi Goldberg em um comercial sobre o Flooz, do longíquo anos 2000.

Caso não se lembre, tentarei explicar o que era o Flooz.

Como a atriz mesmo diz: “é como se fosse dinheiro”. É, digamos que era uma espécie de dinheiro virtual, que você podia comprar com o seu cartão de crédito – pois é, já se falavam sobre moeda digital naquela época. Porém, para contextualizar o cenário, o Flooz era mais parecido com os “gift-cards” ou “vale-presentes”. Você comprava uma quantidade de Flooz, e com isso você poderia a ir um supermercado ou lojas, como a Tower Records, por exemplo, e adquirir livros, CDs ou DVDs apenas com Flooz – sim, naquela época se vendiam cds e dvds.

Com isso, Flooz tentou estabelecer uma moeda única e digital para os comerciantes da Internet. Foram audaciosos e desta forma, a empresa conseguiu captar US$ 35 milhões no negócio de “gift-cards” ou “dinheiro virtual”. Parece uma insanidade, mas qualquer negócio que no final tinha “.com” foi catapultada ao infinito e além. Não é por acaso, as empresas foram sobreavaliadas ao extremo e ficou conhecida mais tarde como a bolha das “dot.com”.

Pensou em algo semelhante? Então, aonde quero chegar?

Atualmente, estamos vivenciando a euforia das criptomoedas. Máximas de valorização a cada dia. Em cada mês, surge uma nova criptomoeda elevadas a mais alta potência, enfim, considerado o novo Santo Graal dos investimentos. A cada semana, um ICO diferente e com uma proposta revolucionária digital. Do modo de vista, está até bem parecido com o Flooz – o dinheiro virtual dos anos 1999-2000.

O conceito inusitado que eu consigo ver em potencial é apenas o blockchain. Esse sistema sem ter intermediários bancários. Até porque no mundo, cada vez mais estaremos precisando menos de intermediários. Corretores e vendedores que o digam. Mas o blockchain precisa ser testado realmente a sua eficácia.

Voltando ao estouro da bolha “ponto.com”, poucas empresas daquela época sobreviveram e estão aí até hoje para contar história. Mas muitas delas fracassaram, assim como o Flooz. Em 2001, a empresa não resistiu a desconfiança dos usuários, após o FBI investigar um esquema russo de fraude e lavagem de dinheiro. Neste esquema, compraram unidades de Flooz após a clonagem de cartões de créditos dos usuários. Consequentemente, conseguiam comprar e resgataram a quantia em espécie.

O desconfiômetro segue ligado. Mas acredito que vivenciamos uma espécie de remake do “Vale a pena ver de novo” das moedas digitais. E o futuro delas? Podemos até fazer um revival do “Você Decide”, líder de audiência naquela época, mas não resistiu no ano 2000. Enquanto isso, assistiremos as novas máximas ou capítulos da novela dos “gift-cards” ou, se preferir, das criptomoedas.




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Coreia do Norte não faz cócegas

Você acredita mesmo que poderia ocorrer uma guerra entre os EUA-Coreia do Norte?

Pode acreditar que não, pois isso não vai acontecer. Até porque o mercado americano não estaria nas máximas com a eminência de uma possível guerra prestes a explodir.

Caso tenhamos a mínima possibilidade sequer da ocorrência desses ataques, os índices estariam longe de sua máxima, preparado para uma possível queda.

Por isso, fique tranquilo. Não há a mínima chance desta guerra finalmente acontecer. Kim Jong-Un pode até brincar de ‘war’ – jogando uns mísseis para lá e para cá, mas tudo dando água.

Não sou professor de história, mas em nenhuma guerra, não me lembro de alguém avisar onde jogaria um míssil – caso de Guam – ou testar a paciência do Japão.

Caso queira assistir a um documentário sobre a vida no Planeta de Kim Jong-Un, assista ao “The Propaganda Game”. O doc é do cineasta espanhol Álvaro Longoria e está na Netflix também.




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