Reserva de Emergência: onde aplicar? (versão atualizada)

Publiquei este post há quase um ano. De lá para cá, a taxa Selic mudou e outras visões também mudaram. Por isso, decidi modificar o texto.

Não adianta planejar a vida financeira sem antes ter um capital separado para a reserva de emergência ou também conhecido como “colchão de segurança”.

Esse deve ser o primeiro passo – e também o mais importante – para ter a segurança necessária para investir.

Desta forma, muitos sem conhecer adequadamente os instrumentos financeiros para aplicar a sua reserva de emergência ainda apelam apenas para a poupança.

Hoje, a poupança rende equivalente a 8,20% a.a. líquido de IR. Parece uma boa opção para você? Acredite, há outras ainda melhores…

Porém, podemos fugir da poupança, com a mesma segurança, liquidez e rentabilidade melhor. Vamos os casos:

1) Se investir em um CDB de liquidez diária ou (D+1), que remunere 100% do CDI, conseguirá um rendimento bruto anual de 11,13%. Logo, com o CDI atual, em 1 ano equivale a 8,90%a.a. líquido de IR.

Se deixar maturar o investimento por mais tempo, o rendimento irá melhorar ainda mais. Se deixar aplicado por dois anos, a rentabilidade líquida irá para 9,26% a.a. Se for em três anos, passa para 9,60% a.a.

Por conta disso, apenas com essa aplicação já temos uma rentabilidade melhor que a poupança e também com a mesma segurança. Porém, dificilmente em um banco grande, você encontrará um CDB com 100% do CDI de liquidez diária.

Para isso, é preciso encontrar essas taxas atrativas nos bancos pequenos ou médios ou através das corretoras – relembre aqui, o post em que explico qual o aplicativo para encontrar as melhores taxas na renda fixa.

É válido ressaltar que os bancos médios também contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), da mesma forma que os bancos grandes. Claro que o risco dos pequenos ou médios quebrarem é um pouco maior. Neste caso, caso o banco sofra liquidação judicial, o investidor não receberá a quantia aplicada imediatamente, pois o FGC leva um certo tempo até organizar a lista de todos os beneficiários. Em média, de 3 a 4 meses é o prazo para o investidor recuperar o dinheiro aplicado.

É importante dizer que o FGC só garante até R$ 250.000,00 por CPF investido em cada banco. Por isso, nada de deixar acima desta quantia citada em um banco apenas. É válido diversificar. Vou repetir: diversificar sempre. Mas como estamos falando de colchão de segurança, dificilmente você terá uma reserva de emergência acima de 250mil reais.

No meu caso, eu tenho sim um investimento em um CDB de liquidez diária. Está lá, para caso eu precise resgatar. Notícias recentes até me fizeram repensar, pois o banco em que eu investia a minha reserva de emergência teve operação da Polícia Federal. E como colchão de segurança é preciso deixar em “local seguro”, nada mais justo que fazer uma modificação. Retirei grande parte dele (não a totalidade) do CDB deste banco citado e apliquei em uma LFT…

2) Título do Tesouro Direto atrelado a Taxa Selic (LFT).

Em relação ao LFT, remunera 100% da SELIC, que é sempre ligeiramente superior ao CDI.

Entretanto, possui uma cobrança de taxa de custódia obrigatória de 0,3% ao ano, o que praticamente empata com o CDI.

É válido ressaltar que caso opte por investir no Tesouro Direto, através de um banco grande, também há uma taxa de administração. Neste caso, o CDB 100% atrelado ao CDI, renderá um pouco mais. Por isso, escolha sempre investir no Tesouro Direto através de corretoras que não cobram taxa de administração – a famosa taxa zero.

Caso você precise resgatar a LFT, ele só estará disponível em D+1. Isto é, o dinheiro resgatado estará disponível na sua conta apenas no dia seguinte. E mesmo que você resgate o dinheiro antes do prazo final de investimento pode ficar tranquilo, pois não há perda de rentabilidade.

No meu caso, a maior parte da minha reserva de emergência está atrelado ao LFT, Tesouro Selic. Uma outra parte, como já citado, está em um CDB de liquidez diária. E outra minúscula parte, apenas 3% do meu colchão de segurança, está aplicado em uma poupança…

3) Poupança – é bem famosa pelos brasileiros. A parte boa dela é que você pode resgatar no mesmo dia. É útil para casos urgentes, que necessita de pagamento imediato.

Entretanto, o rendimento dela ocorre apenas na data de aniversário da aplicação. Ou seja, se você deixar seu dinheiro aplicado por 29 dias e retirá-lo, você não receberá nada a mais de juros investido. Ao contrário dos CDBs e LFT, no qual a remuneração é por cada um desses 29 dias aplicados.

Para quem é ultra conservador e não larga mão da poupança, experimente utilizar os três casos citados ao mesmo tempo, e ainda serve como diversificação. Utilize um terço da reserva de emergência no banco médio em CDB de liquidez diária, a outra parte em LFT e outra também na poupança. Só assim, o risco fica mais diluído, sem perder a rentabilidade. Até porque colchão de segurança está lá para garantir a sua estabilidade no futuro, caso um dia você precise resgatar.

Portanto, essas são as escolhas para deixar aplicado a sua reserva de emergência.




Saiba como calcular o Dividend Yield de um ativo

Um dos fatores para se escolher um ativo, seja ele uma ação ou um fundo imobiliário, é o Dividend Yield.

Claro que não é o principal motivo, pois existem outras métricas para analisar a qualidade de um ativo. Até porque, um ativo com um alto Dividend Yield nem sempre é sinônimo de ser saudável.

Afinal, o que é o Dividend Yield? Simplesmente, é o retorno dos dividendos ao longo do ano. Explicando: Quando você investe em um ativo, você espera um retorno. Este retorno pode ser pelas receitas dos rendimentos de uma empresa da qual você investiu, através dos dividendos e/ou JSCP (juros sobre o capital próprio) distribuídos aos acionistas. Melhor ainda, é o retorno dos dividendos distribuídos pela empresa durante um ano, de acordo com o preço que o investidor adquiriu o ativo.

Sim, e existe uma equação para isso!

Para se calcular o Dividend Yield é simples, basta somar todos os rendimentos distribuídos pelo ativo nos últimos 12 meses e dividí-lo pela cotação atual do ativo (ou pela cotação que você deseja comprar o ativo). Com o resultado, multiplica-se por 100, logo o investidor obtém o Dividend Yield dos últimos 12 meses, ou seja, do último ano.

Como funciona na prática?

Darei quatro exemplos: de dois fundos imobiliários e de duas ações.

HGJH11
soma dos rendimentos dos últimos doze meses (05/16 a 04/17) = R$ 91,50
cotação de fechamento do dia 13/04/2017 = R$ 1.260,00
91,5 / 1.260 = 0,0726 x 100 = 7,26% é o dividend yield atual do fii HGJH11

NSLU11B
soma dos rendimentos dos últimos doze meses (05/16 a 04/17) = R$ 19,48
cotação de fechamento do dia 13/04/2017 = R$ 213,30
19,48 / 213,30 = 0,0913 x 100 = 9,13% é o dividend yield atual do fii NSLU11B

TIET4
soma dos dividendos e JSCP dos últimos doze meses (04/16 a 03/17) = 0,4055
cotação de fechamento do dia 13/04/2017 = R$ 2,70
0,4055 / 2,70 = 0,1501 x 100 = 15,01% é o dividend yield atual de TIET4.

MPLU3
soma dos dividendos e JSCP dos últimos doze meses (04/16 a 03/17) = 2,31
cotação de fechamento do dia 13/04/2017 = R$ 37,23
2,31 / 37,23 = 0,062 x 100 = 6,20% é o dividend yield atual de MPLU3.

É válido destacar que nem sempre os rendimentos passados são os mesmos rendimentos do futuro. Entretanto, para o investidor que busca gerar um fluxo de caixa mensal ou trimestral, é notório que há alguns ativos listados que se aproximam neste quesito.

É preciso dizer que os ativos citados não são recomendação de compra e/ou venda. São apenas exemplos para se calcular o Dividend Yield do ativo.

Bons investimentos!!!




Ninguém sabe o que vai acontecer

O que mais se escuta por aí é a temida Reforma da Previdência.

Nas últimas duas semanas, viajei para três regiões distintas do Brasil, e só falavam da tal Reforma.

Ninguém sabe o que vai acontecer…

Desconfie de um analista que diz que o Ibovespa vai subir 30% com a aprovação da Reforma.

Desconfie de um analista que diz que o Ibovespa vai desabar 25% com a reprovação da Reforma.

Até porque, ninguém tem bola de cristal.

Atire a primeira pedra se você já não leu algum relatório desta forma com as projeções deste ano?

Talvez – eu disse, talvez – seja aprovado apenas a metade da Reforma Previdência. E aí? Teremos a euforia ou o desespero?

O que vier pela frente, não se assuste.

Por isso, compre sempre bons ativos a preços descontados. E não saia vendendo tudo o que tem por causa do medo.

A pior parte dos investimentos são quando as pessoas sofrem pânico.

Acalme-se.

Até porque, novamente, ninguém sabe o que vai acontecer!

PS: Se você não sabe o que são bons ativos para investir corretamente, sugiro que você assista ao incrível curso do Marcello Vieira, Investidor de Sucesso.




IPO da Azul: será que decola?

Não se espante ao ver um monte de empresas querendo fazer IPO ao longo de 2017.

Em fevereiro tivemos três: Unidas (UNID3); Movida (MOVI3); e Hermes Pardini (PARD3) – como foi dito neste post – Fevereiro – mês dos IPOs.

Agora é a vez da companhia aérea Azul, que lança pela quarta vez o seu IPO na Bovespa, após três tentativas fracassadas em 2013, 2014 e 2015.

O motivo de não ter êxito nos anos anteriores foi o fato da bolsa brasileira estar em baixa. Segundo os analistas de plantão, muitos investidores não queriam correr o risco de investir no Brasil. Como, de repente, na visão deles tudo mudou, agora voltaram a desembarcar atrás de riscos no mercado brasileiro. Até por isso, muitas empresas vão querer fazer IPO ao longo deste ano. Repare só!

Para quem deseja investir na companhia aérea Azul, a faixa de preço estimada para cada ação preferencial (AZUL4) será de R$19,00 a R$23,00 e poderá ser adquirida entre os dias 23 de março até 05 de abril.

Caso você queira comprar o ativo, precisa entrar em contato com a sua corretora e dizer que deseja participar da oferta pública inicial da Azul.

É válido ressaltar que a ação já começa a ser negociada a partir do dia 07 de abril na Bovespa. E o IPO da Azul, segundo a empresa, tem o intuito de pagamentos de dívidas e estruturação da empresa.

Posso colocar lenha na fogueira?

O oráculo de Omaha, Warren Buffet dizia que o setor de aviação é uma espécie de “deathtrap for investors” (uma armadilha para os investidores). Desta vez, parece que ele mudou de ideia. Porque nos últimos seis meses, a Berkshire Hathaway aportou quase 10 bilhões de dólares em quatro companhias aéreas norte-americanas: American Airlines; United Continental; Delta; e Southwest.

E agora, José? Será que o vento começou a soprar a favor para o setor de aviação? Você que vai dizer…

PS: Para não deixar de fora, se tudo se concretizar, ao longo do ano, teremos mais IPOs. Entre elas: XP Investimentos; Carrefour Brasil; Caixa Seguridade; IRB Brasil e outras mais…




A retomada do investimento em dólar

O dólar está flertando com a marca dos R$3,00 há algumas semanas. Eu tinha prometido de ‘pé junto’ que voltaria a investir no dólar ao alcançar este patamar.

Alguns irão dizer que é a hora de comprar papel moeda ou a hora de investir na bolsa lá fora.

Como eu acredito que o mercado acionário americano esteja sobreavaliado, com os preços bem acima do nível desejado. Por enquanto, eu não aportaria dinheiro por lá. Quem sabe, aconteça uma correção bem brusca.

E também como eu não guardo dinheiro em espécie na gaveta – talvez até por causa dos nossos resquícios inflacionários tupiniquins. Até porque no Brasil, guardar de dinheiro na gaveta é sinônimo de perder dinheiro no futuro.

Temos um outro caminho de investir em dólar na bolsa brasileira:

– Podemos investir em empresas exportadoras, que acompanham o valor da cotação dólar por aqui. Não sabe quais? É só ver quais as empresas que sofreram maiores quedas no ano passado. Temos a fabricante de aviões Embraer (EMBR3); e as empresas de papel e celulose Fibria (FIBR3), Suzano (SUZB5) e a Klabin (KLBN11).

Quem também acompanha o dólar é a empresa de alimentos Brasil Foods (BRFS3), que pelos noticiários atuais foi severamente penalizada – quem sabe, esteja até na hora de aportar nela. Eu disse, quem sabe! Fica a seu critério. Lembrando que ela é comandada por Abílio Diniz.

– Outra forma de investir em dólar seria aportar no ETF IVVB11. Para quem não sabe, é um ETF negociado na Bovespa, que busca retornos de investimentos que correspondem à performance do índice Standard & Poor’s 500 (S&P500) – as 500 principais ações americanas. Vale lembrar que este ETF é um fundo gerido pela BlackRockInc, uma das maiores gestoras de fundo mundial.

Como o IVVB11 tem uma correlação com o índice S&P500, com o dólar e com o real há algumas peculiaridades envolvidas. Caso a cotação do dólar suba por aqui, o ETF IVVB11 se valoriza, mesmo com o índice S&P500 inalterado. Se o S&P500 se valoriza e a cotação do dólar segue no mesmo patamar, o IVVB11 também se valoriza. Entretanto, não tem jeito, caso o índice S&P500 sofra uma correção, o IVVB11 será desvalorizado.

Para quem gosta de proteger a carteira de investimentos e não estar exposto somente em empresas brasileiras, o ETF IVVB11 é uma forma de investir tanto em dólar, quanto ao índice americano.

É preciso dizer que há outras formas de investir em dólar, como investir em outros fundos multimercados ou na compra do mini-dólar, negociado na Bovespa. Neste último caso, não recomendo, pois isso será um trade e caso você não tenha o ‘timing’ de mercado, vai perder mais dinheiro do que você imaginaria.

Não quero dizer que você precisa investir em dólar neste momento. Quero lembrá-lo que em setembro de 2015, o dólar estava a R$4,00 e muita gente dizia por aí para investir em dólar. Agora, com a moeda próxima a R$3,00, você não vê gente por aí dizendo para você comprar dólar.

Esta é apenas uma oportunidade de comprar a moeda em patamares mais baratos. Neste caso, seria uma proteção para você, em busca de uma possível valorização da moeda em comparação ao real, até porque, há riscos envolvidos. Se o dólar voltar a R$2,80 ou R$2,50, você vai perder dinheiro. Mas como não sabemos o dia de amanhã, vale a máxima “compre na baixa e venda na alta”.




Procuram-se LCI e LCA com bons rendimentos

Tenho reparado há algum tempo que os investimentos em LCI e LCA estão desaparecendo cada vez mais.

“Como assim? Pois, na minha corretora sempre oferecem!” Você deve estar se perguntando.

Sim, ainda ocorre a disponibilidade de investimento das LCIs e LCAs. Porém, o retorno está bem abaixo dos últimos meses e anos.

Para quem não sabe, LCI e LCA são uma abreviação para Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio. São títulos de renda fixa emitidos por bancos para financiar o setor imobiliário e do agronegócio. Contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e também tem prazo mínimo para resgate de 90 dias. E o mais importante de todos: são isentas de imposto de renda.

Porque com a isenção de imposto de renda, a LCI ou LCA com retorno de 100% do CDI, com duração de apenas 3 meses, rende mais que um CDB que tenha retorno de 120% do CDI.

Porém, esse rendimento citado está escasso. Sumiu das prateleiras das corretoras.

Agora só é possível encontrar rendimento com no máximo 94% do CDI. E acaba muito rápido. Aconteceu comigo nesta semana. Queria aplicar em uma LCI de 93% do CDI e com prazo de carência de 4 meses. Como me enrolei no trabalho, demorei quase duas horas para fazer a transferência para a corretora e quando percebi, já tinha acabado a oferta.

Claro, não aceite qualquer oferta por aí. Saiba escolher! Escrevi isso outro dia sobre como analisar se um banco está saudável no seguinte post Banco Original: quando a esmola é demais, o Santo….

Por que o rendimento está menor do que nos anos anteriores? Porque a oferta está maior que a procura! Com a piora da economia, acarretou no reflexo da necessidade de crédito pelas empresas. Se o país não está crescendo e as empresas cada vez mais endividadas, não há motivo para se financiar ainda mais!

Fique atento! Se ver uma LCI ou LCA por aí de bobeira com um bom rendimento, lembre-se que está vendo algo raro no mercado.




Por que o investimento em shopping center não é mais um retorno garantido?

Eis que na semana passada surgiu uma oportunidade de uma viagem a trabalho para os EUA. Foi uma viagem curta, inspiradora, reflexiva e, podemos dizer, que me fez tomar algumas atitudes.

Já havia dito neste post (Carnaval – tempo de inspiração. Como viajar ajuda na sua percepção de investimento?) que viajar é uma boa maneira de obter reflexão e inspiração.

Havia lido artigos e alguns comentários de colegas americanos que cada vez mais lojas de departamento nos EUA estavam fechando às portas.

Entretanto, se eles não estão em crise, qual seria o motivo?

Podemos dizer que o e-commerce acarretou em fechamento de lojas e até de grandes hipermercados. Conferi de perto o que antes havia Macy’s, JCPenny, Sears e até Walmart em grandes estacionamentos vazios, desertos e, literalmente, fechados.

Vou deixar bem claro que não sou especialista em shopping center, mas depois do que vi lá nos EUA, me fez aprofundar no assunto para poder estudar o mercado. O que vou escrever abaixo não é um caso apocaliptíco, do fim das lojas de departamento ou a morte dos shoppings center, nada disso. É apenas um relato do que eu vi.

E isso me fez refletir bastante…

Para quem não sabe, todo shopping center necessita de lojas âncoras. São lojas que atrai os consumidores para irem ao shopping. Essas lojas âncoras são as lojas que, praticamente, vendem de tudo, são as famosas lojas de departamento. Entre eles, podemos listar: Macys, JCPenny e Sears.

Claro que o shopping center não sobrevive só disso. Se o shopping center tem entretenimento também ajuda a atrair clientes, como por exemplo, as salas de cinema. Outra forma de atrair a clientela são os bons restaurantes. Famosas redes de franquias de restaurantes junto com uma praça de alimentação são fundamentais para solidificar a sobrevivência de um shopping. Sem esses pilares citados, o shopping, infelizmente, não sobrevive.

Porém, ao analisar os centros comerciais mais afastados de algumas cidades, percebi que eles estavam às moscas, um cenário de deserto total. Lojas que antes eram de vestuário, como Abercrombie & Fitch, American Apparel, Gap e outras lojas não estavam mais funcionando. Ao caminhar por pouco tempo no shopping, deu para perceber que mais da metade das lojas estavam fechadas, sem inquilino algum.

Motivo? As lojas âncoras, que atraiam clientes, não sobreviveram ao e-commerce. O que antes tinham uma Macys ou uma Sears se transformou em um grande “galpão” vazio. Em outros casos, enquanto as lojas âncoras ainda resistiam bravamente e continuavam abertas ao público, as lojas menores do shopping não conseguiu resistir a escassez de clientes e decidiram fechar as portas.

Isso se transformou em um efeito dominó.

Lojas âncoras fechadas acarretam em menor circulação de pessoas. Com a redução da circulação de pessoas afeta o comércio local, porque há menos negócios fechados. Menos negócios afeta as sublojas ou lojas menores, que dependiam de pessoas em circulação para vender, que acabam encerrando as atividades. Consequentemente, o shopping center ou centro comercial tende a deixar de funcionar, porque não sobrevive com mais da metade das lojas fechadas.

Volto a frizar que o que eu percebi deste estado de abandono foi apenas nos shoppings center considerados bem afastados da região central da cidade, geralmente aqueles situados bem no subúrbio das cidades.

Se isso será uma tendência, isso eu não posso prever…

Entretanto, ficaria atento ao investimento em shopping center. Claro que não são todos. Há alguns excelentes por aí. Mas sabe aquele shopping que está afastado da cidade, acima de 20km de distância do centro empresarial ou de zonas residenciais, e que só atrai consumidores por causa do baixo preço das lojas? Pois bem, à primeira vista parece que lá nos EUA esse tipo de shopping center não atrai mais clientes, até porque para encontrar promoção, basta comprar via online, que eles entregam em casa ou no hotel, caso seja turista.

Para se ter uma ideia, no ano passado, durante as Olimpíadas, estive na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Durante a estadia, percorri o bairro de carro de ponta a ponta e contei que o bairro oferece 12 (doze) shopping center somente na Barra da Tijuca. Isso mesmo que você leu! Doze! Na minha opinião, achei um certo exagero na quantidade oferecida. Brincadeiras à parte, fiz até uma aposta com um amigo de qual shopping center não iria resistir a concorrência e iria fechar as portas primeiro.

Por acaso, você conhece algum shopping na sua região que está cada vez mais vazio, atraindo menos pessoas?

Pois bem, o mantra de que shopping center sempre atraia clientes e era uma renda garantida para o investidor, me deixou com uma pulga a mais. Por isso, fica a reflexão…